© Rafael Cardoso/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

Em meio a discussões sobre o futuro do planeta na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), a causa palestina ganha voz através de uma coalizão de representantes, que busca espaço nos eventos paralelos à conferência. Bandeiras e camisas da Palestina são presenças notáveis, evidenciando o engajamento de movimentos sociais com a causa.

Salma Barakat, coordenadora do movimento Stop the Wall, denuncia as ações do governo de Israel. O movimento, com duas décadas de atuação, tem como objetivo expor as violências praticadas contra os palestinos. Salma, residente em Jerusalém, cidade cujo status é disputado e não tem a anexação da parte oriental reconhecida pela ONU, detalha as dificuldades enfrentadas pela população palestina.

Durante a Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30 sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA), Salma abordou temas como os processos de ocupação, o assassinato de palestinos, as conexões entre as causas indígenas, palestinas e ambientais e estratégias para denunciar o governo de Benjamin Netanyahu em fóruns internacionais, como a conferência do clima.

Stop the Wall luta contra o muro do apartheid, que divide palestinos e separa a Palestina do território que hoje é Israel. A mensagem central é a rejeição à ocupação, à colonização e ao genocídio em Gaza. O movimento busca solidariedade global contra qualquer forma de colonização, seja em países africanos, na América Latina ou em outros lugares do mundo.

Para Salma, Israel não reconhece a colonização, reivindicando a terra como sua. As ações do movimento são frequentemente vistas como terrorismo, e a população palestina não é reconhecida como originária da terra. Gaza é citada como exemplo, onde bombardeios e mortes são justificados sob a alegação de que os palestinos não são humanos.

A ativista estabelece uma ligação entre a situação na Palestina e a emergência climática, denunciando que Israel está bombardeando Gaza, destruindo as árvores da Palestina e roubando a água dos palestinos, enquanto se promove como um país com soluções verdes. Salma ressalta que os palestinos não têm acesso à água limpa, ao contrário dos israelenses.

Há uma forte conexão entre a luta palestina e as demandas dos povos indígenas, que enfrentam a expropriação de suas terras por grandes corporações e governos. Assim como os povos originários, os palestinos têm uma forte ligação com a terra, a água e o ar. A libertação da Palestina e a libertação dos povos indígenas estão interligadas.

A Coalizão Palestina na COP30 lançou uma petição para expulsar Israel do evento, questionando como um Estado que mata e desloca palestinos pode participar de discussões sobre justiça climática. A petição será apresentada às autoridades, buscando impedir a participação de Israel em futuras edições da COP. A coalizão também participa da Declaração dos Povos, que será entregue à presidência da COP30, e trabalha para romper as relações entre o Brasil e Israel, incluindo acordos de comércio livre e relações econômicas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br