© Bruno Peres/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

A COP30 entra em sua fase decisiva, com a chegada de figuras de alto escalão para impulsionar as negociações climáticas. Ministros e representantes de cerca de 160 países participam da plenária de alto nível, com o objetivo de alcançar um consenso em questões complexas.

O foco central reside na busca por acordos em temas sensíveis, como o financiamento para iniciativas climáticas, a definição de parâmetros para adaptação, e a criação de mecanismos eficazes para implementar e monitorar as metas de redução das emissões de gases que contribuem para o aquecimento global.

Na abertura da plenária, o vice-presidente destacou a urgência da situação, enfatizando que o tempo das promessas já passou. Ele ressaltou que cada fração de grau adicional no aquecimento global representa vidas em risco, aumento da desigualdade e maiores perdas, especialmente para aqueles que menos contribuíram para o problema. O vice-presidente defendeu que esta COP marque o início de uma década de ação concreta, transformando o discurso em medidas efetivas.

Negociadores reportam avanços consideráveis em diversos pontos da agenda, que conta com 145 itens. À medida que as negociações evoluem do nível técnico para o político, as discussões se intensificam em torno de temas como adaptação, transição justa, financiamento climático e outras questões que exigem consenso para serem resolvidas até o final da semana.

Um dos principais focos desta segunda semana é integrar a natureza ao centro da ação climática. Isso envolve o fortalecimento de compromissos para proteger florestas, assegurar os direitos dos povos indígenas e comunidades locais, e expandir soluções baseadas na natureza.

A agenda de discussões inclui a definição de indicadores de adaptação climática, com uma proposta de até cem indicadores abrangendo dimensões nacionais, temáticas e de meios de implementação, como financiamento, capacitação e tecnologia.

Outros pontos em debate são os direitos e a liderança dos povos indígenas e afrodescendentes, bem como o potencial da governança indígena para fortalecer mecanismos de financiamento climático.

Além disso, houve progresso em temas que antes não tinham consenso, como a elaboração de mapas para o fim gradual dos combustíveis fósseis e para o desmatamento zero.

A definição de fontes de financiamento climático continua sendo um desafio crucial, com diversos debates planejados para tentar alcançar um acordo. Um dos temas em discussão é a implementação do Artigo 9.1 do Acordo de Paris, que estabelece que os países desenvolvidos devem fornecer recursos financeiros para auxiliar os países em desenvolvimento na redução de emissões e na adaptação climática.

Na COP29, o valor do financiamento climático foi definido em US$ 300 bilhões anuais, um montante considerado insuficiente. As presidências da COP30 e COP29 chegaram a propor a mobilização de até US$ 1,3 trilhão ao ano, um volume que os países em desenvolvimento consideram necessário para implementar uma agenda de mitigação da emergência climática, mas não há garantia de que compromissos nessa escala serão alcançados nesta edição da conferência.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br