A Amazônia Legal enfrenta uma crescente escalada da influência de facções criminosas, com um aumento de 32% em sua presença nos municípios da região em apenas um ano. Um estudo recente revelou que o crime organizado já se estabeleceu em 45% das cidades que compõem a Amazônia Legal, saltando de 260 para 344 municípios.
A situação é alarmante, com relatos de que facções como o Comando Vermelho (CV) impõem “taxas” sobre atividades ilegais, como o garimpo, no Mato Grosso. Mensagens obtidas revelam a exigência de cadastramento e pagamento mensal por aqueles que trabalham com balsas e equipamentos de extração mineral em larga escala, sob pena de roubo, destruição de equipamentos e até mesmo morte para quem descumprir as “regras”.
O estudo identificou 17 facções criminosas atuantes na Amazônia, incluindo o CV e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de grupos regionais e até organizações estrangeiras. O CV demonstra controle das rotas fluviais, especialmente no eixo do rio Solimões, enquanto o PCC foca na internacionalização dos mercados, utilizando rotas aéreas clandestinas e a rota oceânica via Suriname.
A violência é uma consequência direta dessa expansão criminosa. Em 2024, foram registradas 8.047 mortes violentas intencionais nos municípios da Amazônia Legal, resultando em uma taxa de 27,3 assassinatos por 100 mil habitantes, um índice 31% superior à média nacional. O Amapá lidera como o estado mais violento, com uma taxa de 45,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
O Maranhão se destaca negativamente como o único estado que apresentou aumento nas taxas de homicídio entre 2023 e 2024, impulsionado pela disputa territorial entre facções pelo controle do tráfico de drogas. Em cidades menores, como Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, o avanço do CV está ligado ao aumento exponencial de assassinatos e à exploração do garimpo na Terra Indígena Sararé, onde a facção controla toda a cadeia de extração de minério.
A situação se agrava com o aumento do número de assassinatos de mulheres na região. Em 2024, foram 586 mulheres assassinadas na Amazônia Legal, uma taxa de 4,1 por 100 mil mulheres, superior à média nacional. O Mato Grosso é o estado mais letal para mulheres, enquanto o Maranhão registrou um aumento nos homicídios femininos.
A complexidade do cenário exige políticas de acolhimento, empoderamento econômico e enfrentamento à violência adaptadas às realidades locais, considerando as especificidades de aldeias indígenas, municípios de fronteira e outras comunidades vulneráveis. A Pan-Amazônia se consolidou como um corredor prioritário para o abastecimento de cocaína em mercados internacionais, intensificando a necessidade de ações coordenadas para combater o crime organizado e garantir a segurança e a cidadania nos territórios amazônicos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

