A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, enfatizou os resultados da COP30, sediada em Belém desde o início de novembro, ao mesmo tempo em que admitiu que ainda existem obstáculos a serem transpostos.
“Avançamos, embora modestamente”, declarou a ministra em seu discurso na sessão plenária de encerramento da COP30, no sábado (22). Após seu discurso, a ministra foi aplaudida de pé por cerca de dois minutos.
“Mesmo que aquelas versões de nós mesmos nos dissessem que não fomos tão longe quanto imaginávamos, ainda estamos aqui. E que sigamos persistindo no compromisso de empreender a jornada necessária para superar nossas diferenças e contradições no urgente enfrentamento da mudança do clima”, disse a ministra.
A edição brasileira da COP30 chegou a um acordo climático de compromisso que visa aumentar o financiamento para as nações mais pobres que enfrentam os impactos do aquecimento global. No entanto, o acordo não faz menção aos combustíveis fósseis, principais responsáveis por impulsionar o aquecimento.
“Em que pese ainda não ter sido possível o consenso para que esse fundamental chamado entrasse entre as decisões dessa COP, tenho certeza de que o apoio que recebeu de muitas partes da sociedade fortalece o compromisso da atual presidência”, afirmou Marina Silva.
A ministra salientou o reconhecimento do papel dos povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes. “Transição justa ganhou corpo e voz na presença desses segmentos”, destacou.
Adicionalmente, mencionou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que visa valorizar aqueles que conservam e mantêm as florestas tropicais.
Outro avanço apontado pela ministra foi o texto do Mutirão Global, que abriu uma “porta importante para o avanço da adaptação com o compromisso dos países desenvolvidos de triplicar o financiamento até 2035”.
“Cento e vinte e duas partes apresentaram suas contribuições nacionalmente determinadas com compromissos em reduzir emissões até 2035. Faltam outras partes, mas esses resultados são ganhos fundamentais para o multilateralismo climático”, acrescentou.
As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) representam os planos de ação climática que cada país apresenta à Organização das Nações Unidas (ONU), detalhando os compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adaptar-se às mudanças climáticas.
“Muito obrigada por visitarem a nossa casa, o coração do planeta. Talvez não tenhamos recebido como vocês merecem, mas recebemos da forma como nós achamos que é o nosso gesto de amor à humanidade e ao equilíbrio do planeta”, concluiu a ministra.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
