G1
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Um ato de desrespeito e vandalismo chocou a comunidade de Passo da Areia, no interior de Rio Pardo, na Região dos Vales, com o registro de um furto em massa no centenário cemitério local. Criminosos invadiram o campo santo, não apenas subtraindo peças de bronze, mas também levando consigo memórias inestimáveis: fotografias de entes queridos sepultados há décadas. O incidente, ocorrido nesta semana, está sob investigação da Polícia Civil e revelou um prejuízo que transcende o valor material.

A Extensão do Dano e a Perda de Lembranças Únicas

Os criminosos agiram com meticulosidade, danificando cerca de <b>50 túmulos</b> no cemitério centenário. Relatos de moradores indicam que lápides tiveram molduras de bronze e outros elementos decorativos arrancados, além da remoção de letras, nomes e, tragicamente, fotografias dos falecidos. A gravidade reside no fato de que muitas dessas imagens eram as <b>únicas representações visuais</b> de familiares que partiram há quarenta anos ou mais, não possuindo outras cópias em posse das famílias, tornando a recuperação impossível. Essa perda imaterial adiciona uma camada de dor indescritível ao episódio.

O Impacto Emocional e a Dor da Irreparabilidade

Para as famílias enlutadas, o crime representa uma violação profunda da memória e do luto. O motorista Adão Salvador Reis Pereira expressou a angústia sentida: "Tu chegar ali e olhar e a foto não estar mais. A gente vem no cemitério e mata a saudade de olhar a foto", demonstrando a importância desses registros visuais para a conexão com os falecidos. O agricultor Marco Antonio da Silveira, que teve as fotos dos pais furtadas, estima que o custo para refazer as placas e tentar substituir as imagens possa atingir cerca de <b>R$ 2 mil</b>, embora o valor sentimental seja, de fato, imensurável e insubstituível.

Investigação em Curso e as Pistas da Polícia

A Polícia Civil de Rio Pardo assumiu a investigação do caso, que tem mobilizado a comunidade local. Até o momento, <b>nenhum suspeito foi identificado</b>, mas o delegado Anderson Faturi já delineia uma linha de investigação. Faturi acredita que o furto foi obra de um "grupo de fora do município, que veio, realizou o furto e foi embora", descartando a hipótese de ser um crime local. A tese é reforçada pelo fato de que outros cemitérios da região não registraram incidentes semelhantes, sugerindo um planejamento e execução específicos para o cemitério centenário de Passo da Areia.

O ataque ao cemitério de Passo da Areia transcende o mero delito de furto, configurando-se como um atentado à memória e à dignidade das famílias. Enquanto a Polícia Civil prossegue com as diligências para identificar e responsabilizar os culpados, a comunidade tenta lidar com a cicatriz deixada pela perda irreparável de lembranças tão preciosas. O caso ressalta a vulnerabilidade de locais de repouso eterno e a necessidade de medidas que garantam a paz e o respeito aos que já partiram e aos seus familiares.

Fonte: https://g1.globo.com