O mundo da música está de luto. Faleceu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos, o cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff, ícone do reggae, ator e ativista. Sua obra transcendeu fronteiras e inspirou gerações, encontrando um lar afetivo e musical no Brasil, especialmente no Maranhão.
A notícia da morte de Cliff reverberou entre artistas brasileiros, que ressaltaram sua importância para a música mundial e para a formação da identidade afrodiaspórica no país.
Gilberto Gil, em suas redes sociais, lembrou a influência direta do jamaicano em seu trabalho e no surgimento do reggae moderno. “Jimmy Cliff influenciou e seguirá influenciando minha música. Obrigado por tanto”, escreveu Gil. Ele destacou que Cliff foi um dos pilares originais do gênero, antecedendo a explosão de Bob Marley.
Chico César emocionou-se ao recordar a importância histórica e política de Cliff. “Hoje nós perdemos um mestre, um mestre da música afrodiaspórica, Jimmy Cliff”, lamentou, referindo-se à revolução musical que Cliff instaurou, representando o sentimento dos afrodescendentes nas Américas. Chico César também compartilhou o impacto pessoal da convivência com o artista, lembrando encontros em festivais na Austrália, Nova Zelândia e Singapura, descrevendo Cliff como uma pessoa doce, educada e apaixonada pelo Brasil.
No Maranhão, onde o reggae é parte fundamental da cultura local, a morte de Cliff ganhou uma dimensão ainda maior. Ademar Danilo, jornalista e DJ, diretor do Museu do Reggae, expressou a tristeza que tomou conta do estado, resumindo: “O dia amanheceu triste”. Ele explicou a relevância do artista para a história do reggae no Brasil, ressaltando que o Maranhão foi um dos primeiros lugares fora da Jamaica a abraçar a música de Cliff.
Ademar Danilo lembrou que o Maranhão adotou a música de Cliff como trilha sonora da vida cotidiana. Segundo ele, o álbum “Follow My Mind” (1975) causou um impacto gigantesco no estado, permanecendo um sucesso até hoje.
De acordo com Ademar, Cliff não apenas influenciou musicalmente o Maranhão, mas também contribuiu para a construção da identidade regueira da capital, São Luís. “Ele se sentiu verdadeiramente em casa aqui”, afirmou Ademar, mencionando que Cliff frequentava clubes de reggae na periferia, interagindo com as pessoas e apreciando a cultura local. Foi Cliff quem popularizou o apelido de São Luís como “Jamaica brasileira”.
O diretor do Museu do Reggae também relembrou um encontro inesperado com Cliff em uma reunião no Institute of Jamaica, onde representava o recém-criado museu. Ele mencionou que Cliff recordou as conversas que tiveram no Maranhão, em um momento de grande emoção.
Para Ademar Danilo, o impacto da morte do artista reflete a magnitude de sua presença no Maranhão: “Hoje em São Luís só há dois assuntos no meio do reggae: o festival que aconteceu ontem, a Ilha do Reggae, e a morte de Jimmy Cliff. Dormimos alegres e acordamos tristes.”
Jimmy Cliff, autor de clássicos como “Many Rivers to Cross”, “The Harder They Come” e “You Can Get It If You Really Want”, foi um dos pioneiros a levar o reggae para o mundo, antes mesmo da explosão internacional de Bob Marley.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
