G1
Compartilhe essa Matéria

Um documento de política externa do governo Trump lançou críticas severas à Europa, alertando para o que descreve como um declínio e potencial “apagamento da civilização europeia”. O texto, que detalha a nova doutrina da administração, pinta um quadro sombrio do futuro do continente, argumentando que a Europa está perdendo relevância no cenário global.

O documento aponta para a diminuição da participação europeia na economia mundial, citando o que considera um excesso de regulamentação por parte da União Europeia. A organização política do continente e a instabilidade de alguns países também são apontadas como fatores contribuintes para essa suposta decadência.

Entre as prioridades delineadas no documento, estão o aumento da abertura dos mercados europeus para produtos americanos e a transferência de uma parcela maior dos custos de defesa do continente para os países europeus membros da OTAN, diminuindo a dependência do poderio militar dos Estados Unidos.

O governo americano atribui grande parte do suposto declínio europeu à imigração. O documento adverte sobre “uma perspectiva real e mais sombria de um apagamento da civilização europeia”, afirmando que “se as tendências atuais continuarem, a Europa será irreconhecível em 20 anos ou menos”. A preocupação expressa é que muitos países da OTAN em breve terão uma população majoritariamente não europeia.

“Queremos que a Europa permaneça europeia, que recupere sua autoconfiança civilizacional e abandone o seu foco fracassado em uma regulação sufocante”, declara o documento. O texto também celebra “a crescente influência de partidos patrióticos europeus”, indicando que uma das prioridades americanas deve ser apoiar a resistência no continente.

A postura do governo americano se alinha, portanto, à extrema-direita europeia, ecoando declarações anteriores que acusavam líderes da União Europeia de censurar a liberdade de expressão e de falhar no controle da imigração ilegal.

As reações na Europa foram relativamente contidas. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha respondeu que o país não precisa de lições externas sobre democracia e liberdade de expressão. Johann Wadephul, também da Alemanha, contestou elementos da nova estratégia de segurança da Casa Branca, mas enfatizou que os Estados Unidos continuarão sendo o aliado mais importante da Alemanha na OTAN. A União Europeia optou por não comentar o documento, mantendo silêncio diante das críticas.

Fonte: g1.globo.com