© Antonio Cruz/ Agência Brasil
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A Justiça britânica reafirmou uma decisão crucial que responsabiliza a gigante da mineração BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, ocorrido em 2015. Nesta segunda-feira, o Tribunal Superior de Londres negou à mineradora australiana o direito de recorrer, solidificando sua posição como “estritamente responsável” pelos danos catastróficos. Essa condenação, proferida após quase uma década de litígio, marca um ponto de virada significativo para os mais de 620 mil requerentes que buscam indenização e justiça. A BHP foi explicitamente citada por “negligência” no desastre que devastou comunidades, ceifou vidas e causou um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. A abertura para um pagamento colossal de 36 bilhões de libras esterlinas (equivalente a cerca de R$ 259 bilhões) sinaliza uma possível reparação para as vítimas e estabelece um importante precedente para a responsabilidade corporativa global em casos de catástrofes.

A decisão histórica em Londres consolida a responsabilidade da BHP

A recente determinação do Tribunal Superior de Londres representa um marco legal de proporções internacionais, negando à mineradora australiana BHP o direito de contestar uma decisão anterior que a considerou culpada pelo desastre de Mariana. Esta etapa processual é crucial porque encerra a possibilidade de a BHP evitar o reconhecimento de sua “responsabilidade estrita como poluidora” pelos extensos danos provocados. A corte britânica não apenas confirmou a culpa da empresa, mas também sublinhou a “negligência” de suas operações no período que antecedeu e durante a tragédia. A complexidade do caso se arrasta há quase dez anos, e a jurisdição britânica se tornou pertinente devido ao fato de a BHP possuir uma sede em Londres à época do colapso, em coautoria com a brasileira Vale, na operação da Samarco, responsável pela barragem do Fundão. A manutenção desta condenação abre caminho para a fase final do processo, focada na quantificação das indenizações.

Os argumentos da corte e o precedente da negligência

A decisão judicial enfatiza o princípio da responsabilidade estrita do poluidor, uma doutrina legal que impõe culpa a uma parte sem a necessidade de provar intenção ou falta de cuidado, bastando que a atividade tenha causado o dano. Contudo, o tribunal foi além, apontando especificamente a negligência da BHP. Isso sugere que, na visão da Justiça britânica, a empresa falhou em adotar as precauções adequadas para prevenir o colapso da barragem ou em gerenciar os riscos inerentes à sua operação. Esta postura reforça a importância de due diligence e governança corporativa em setores de alto risco, como a mineração. O veredito de Londres não apenas busca reparação para as vítimas, mas também envia uma mensagem clara às corporações multinacionais sobre as consequências de suas ações, ou inações, em qualquer parte do mundo onde operem. A sentença contra a BHP pode estabelecer um importante precedente para casos futuros envolvendo desastres ambientais transnacionais e a responsabilização de empresas controladoras.

O desastre de Mariana: um legado de destruição

O dia 5 de novembro de 2015 ficou marcado na história do Brasil como a data do maior desastre ambiental e uma das maiores tragédias industriais do país. O rompimento da barragem de rejeitos de mineração do Fundão, operada pela Samarco – uma joint venture da BHP e da Vale –, liberou um tsunami de lama tóxica que percorreu mais de 650 quilômetros. A avalanche de rejeitos, composta por detritos de minério e água, desceu pela bacia do Rio Doce, atingindo dezenas de municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo, até desaguar no Oceano Atlântico. A escala da destruição foi imensa e multifacetada, afetando irreversivelmente ecossistemas, comunidades e a economia local.

Impacto humano e ambiental devastador

As consequências humanas do desastre foram trágicas: 19 pessoas perderam suas vidas, entre funcionários da mineradora e moradores das comunidades atingidas, principalmente do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, que foi completamente soterrado. Mais de 600 famílias perderam suas casas e meios de subsistência, tornando-se desabrigadas da noite para o dia. O impacto ambiental foi igualmente catastrófico. Milhares de animais terrestres e aquáticos foram mortos, a vida aquática do Rio Doce foi dizimada, e vastas extensões de floresta tropical protegida foram soterradas e contaminadas. A lama tóxica alterou a geomorfologia do rio, afetou a qualidade da água e do solo por décadas e comprometeu a biodiversidade local de forma profunda. O desastre não apenas causou danos imediatos, mas também gerou um passivo ambiental e social que persiste até hoje, com muitas comunidades ainda lutando por reparação integral e reconstrução.

O caminho para a indenização e o futuro do caso

Com a negativa do recurso da BHP, o foco do processo judicial se volta agora para a determinação e o pagamento das indenizações. A decisão abre caminho para que os 620 mil requerentes – indivíduos, empresas e municípios afetados – possam finalmente receber a compensação pelos danos sofridos. A cifra estimada de 36 bilhões de libras esterlinas, aproximadamente 259 bilhões de reais, reflete a magnitude dos prejuízos materiais, morais e ambientais causados pelo rompimento da barragem. Um segundo julgamento, especificamente dedicado à quantificação e ao pagamento dessas indenizações, está agendado para começar em outubro deste ano. Este será um passo crucial para as vítimas, que aguardam há quase uma década por justiça e reparação financeira.

Próximos passos e a importância do precedente

A fase vindoura do julgamento em Londres será complexa, envolvendo a avaliação individual e coletiva dos danos sofridos pelos milhares de requerentes. A expectativa é que este processo detalhe as perdas econômicas, os custos de reconstrução, os impactos na saúde e os danos ambientais de longo prazo. Além do alívio que o eventual pagamento trará às vítimas, a decisão contra a BHP estabelece um importante precedente jurídico global. Ela reforça a capacidade de tribunais internacionais de responsabilizar grandes corporações por danos transfronteiriços, especialmente quando há negligência comprovada e um elo significativo com a jurisdição em questão, como a presença de uma sede. Este caso pode influenciar a forma como empresas multinacionais operam e são reguladas em todo o mundo, incentivando padrões mais rigorosos de segurança e responsabilidade socioambiental.

Conclusão

A decisão do Tribunal Superior de Londres, que mantém a condenação da BHP pela negligência no desastre de Mariana, representa um momento decisivo na busca por justiça e reparação. Após quase uma década de espera, a recusa do direito de recurso da mineradora solidifica sua responsabilidade e abre um caminho concreto para o pagamento de bilhões em indenizações. Este veredito não apenas oferece uma esperança tangível para as centenas de milhares de vítimas que sofreram perdas irreparáveis, mas também estabelece um poderoso precedente legal para a responsabilização corporativa em escala global. O caso de Mariana continua a ser um doloroso lembrete da fragilidade dos ecossistemas e da importância inegável de uma governança empresarial rigorosa e ética, servindo como um marco para a proteção ambiental e dos direitos humanos contra os impactos da atividade minerária.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual o valor da indenização que a BHP terá que pagar?
A decisão do Tribunal de Londres abre caminho para o pagamento de cerca de 36 bilhões de libras esterlinas, o equivalente a aproximadamente 259 bilhões de reais em indenizações aos mais de 620 mil requerentes.

2. Por que o caso está sendo julgado em Londres e não apenas no Brasil?
A BHP, uma das controladoras da Samarco (operadora da barragem), tinha uma sede em Londres na época do desastre. Esta conexão permitiu que o processo civil fosse instaurado na capital britânica, buscando responsabilizar a empresa em uma jurisdição internacional.

3. Quem são os requerentes no processo de indenização?
Os requerentes incluem os moradores das comunidades atingidas, empresas locais, municípios afetados e outros indivíduos que sofreram danos materiais, morais e ambientais em decorrência do rompimento da barragem do Fundão.

4. Quando está previsto o início do julgamento para as indenizações?
O julgamento específico para a determinação e o pagamento das indenizações está previsto para começar em outubro deste ano.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br