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A cidade de Bauru, no interior de São Paulo, foi palco de um incidente chocante que mobilizou autoridades e gerou ampla repercussão nacional. Uma mulher atropelada em uma rodovia foi, inicialmente, declarada morta pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas foi surpreendentemente reanimada por um médico de uma concessionária que percebeu sinais vitais. O caso da mulher dada como morta por engano em Bauru, Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos, desencadeou uma série de investigações envolvendo órgãos de saúde, a polícia civil e conselhos profissionais, que buscam apurar as responsabilidades e garantir que situações semelhantes não se repitam. A cronologia dos fatos revela uma sequência de eventos que levantam sérias questões sobre os protocolos de atendimento de emergência.

O trágico atropelamento e a declaração de óbito inicial

Acidente na SP-294 e primeiros socorros

O drama de Fernanda Cristina Policarpo começou na noite de domingo, 18 de fevereiro, na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru. Segundo os registros, a mulher, de 29 anos, tentava atravessar a via quando foi atingida por um veículo. O acidente mobilizou equipes de emergência, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prontamente se dirigiu ao local para prestar socorro à vítima.

A controvérsia da declaração de óbito

De acordo com o boletim de ocorrência, ao chegar à cena do acidente, a equipe do Samu realizou a avaliação inicial da vítima. Com base nessa avaliação, os socorristas, incluindo uma médica, constataram o óbito de Fernanda Cristina Policarpo. Diante da declaração, o procedimento padrão foi iniciado: a rodovia foi interditada para a preservação do local e o Instituto Médico Legal (IML) foi acionado para remover o corpo. Uma manta térmica, item frequentemente utilizado para cobrir vítimas fatais em acidentes, foi colocada sobre a mulher, sinalizando o desfecho trágico da ocorrência para todos os presentes.

A reviravolta: reanimação na rodovia

Sinais de vida e a intervenção crucial

Contrariando a declaração oficial, a história tomou um rumo inesperado poucos minutos após a equipe do Samu deixar o local. Enquanto Fernanda permanecia coberta pela manta térmica sobre o asfalto, um médico da concessionária responsável pela rodovia, que ainda estava presente na cena do acidente, percebeu movimentos respiratórios sutis da vítima. Um sinal inequívoco de que, apesar do atestado de óbito, a mulher ainda estava viva. Imediatamente, o socorrista da concessionária agiu, iniciando manobras de reanimação. A rápida percepção e a intervenção decisiva deste profissional foram cruciais para a segunda chance de vida de Fernanda.

Internação em estado grave

Após a reanimação na rodovia, a vítima foi prontamente encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. Seu estado de saúde era grave, exigindo cuidados intensivos. No dia seguinte, segunda-feira (19), Fernanda foi transferida para o Hospital de Base de Bauru, uma unidade com maior capacidade e recursos para casos de alta complexidade. Ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece sob acompanhamento médico rigoroso, lutando pela recuperação.

Desdobramentos e as investigações em curso

Repercussão pública e afastamento da médica do Samu

O caso ganhou enorme repercussão pública, gerando comoção e indignação. Em resposta, a Prefeitura de Bauru, responsável pela gestão do Samu no município, informou que abriu uma sindicância administrativa para apurar detalhadamente os fatos relacionados ao atendimento. A direção do Samu, por sua vez, anunciou o afastamento da médica que atestou o óbito de Fernanda. Essa medida cautelar visa garantir a transparência e imparcialidade das investigações internas, que buscam identificar possíveis falhas nos protocolos de atendimento e na conduta profissional.

Vídeos e relatos de testemunhas

A gravidade do incidente foi ainda mais evidenciada com a divulgação de vídeos gravados por testemunhas no local do atropelamento. Nas imagens, registradas na terça-feira (20), é possível ver a equipe do Samu cobrindo completamente Fernanda com a manta térmica, um procedimento para vítimas fatais. Mais perturbador ainda, áudios dos vídeos e relatos de testemunhas revelaram que pessoas próximas tentaram alertar a equipe de socorro sobre os sinais vitais da mulher. Uma testemunha afirmou ter dito: “Gente, a mulher está viva, está respirando devagarzinho, mas ela está respirando.” O relato sugere que os alertas foram ignorados ou não foram devidamente considerados naquele momento.

Polícia Civil e órgãos de fiscalização entram em cena

Diante da complexidade e das graves alegações, a Polícia Civil de Bauru abriu um inquérito para investigar o caso. O delegado responsável, Eduardo Herrera, indicou que a apuração abarcará toda a dinâmica do ocorrido, desde o atropelamento até as circunstâncias do socorro prestado. A investigação policial visa determinar se houve omissão de socorro ou negligência médica por parte da equipe do Samu. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também instaurou uma sindicância para avaliar a conduta profissional da médica envolvida, conforme prevê a legislação, e que tramitará sob sigilo.

Estado de saúde atualizado da vítima

As últimas informações sobre o estado de saúde de Fernanda Cristina Policarpo, divulgadas na sexta-feira (23) pelo Hospital de Base de Bauru, trazem um alívio em meio à tensão das investigações. A vítima permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas apresenta estabilidade clínica e já responde a estímulos da equipe médica. Ela continua em ventilação mecânica, com redução gradual dos sedativos, indicando uma evolução positiva em seu quadro. A recuperação de Fernanda é acompanhada com esperança, enquanto as apurações administrativas e criminais prosseguem.

Perspectivas futuras e a busca por respostas

O caso de Fernanda Cristina Policarpo em Bauru transcende a esfera de um incidente isolado, levantando questões cruciais sobre a eficácia e a humanidade dos protocolos de emergência. A reanimação da mulher após ter sido declarada morta evidencia a importância da revisão constante de procedimentos e do treinamento contínuo dos profissionais de saúde. As investigações em andamento pela Polícia Civil, pela Prefeitura de Bauru e pelo Cremesp são essenciais para esclarecer todas as circunstâncias, identificar responsabilidades e implementar mudanças que possam prevenir futuras falhas. A sociedade espera por respostas claras e por justiça, garantindo que a confiança nos serviços de atendimento emergencial seja restabelecida e que a vida seja sempre a prioridade máxima em qualquer intervenção.

Perguntas frequentes sobre o caso

1. Quem é a vítima do atropelamento em Bauru?
A vítima é Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos. Ela foi atropelada na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) em Bauru.

2. Por que ela foi declarada morta inicialmente?
Após o atropelamento, a equipe do Samu presente no local realizou uma avaliação e atestou o óbito de Fernanda. Protocolos para casos fatais, como a cobertura do corpo com uma manta térmica e o acionamento do IML, foram iniciados.

3. Quem percebeu que a vítima ainda estava viva e a reanimou?
Um médico da concessionária que administra a rodovia percebeu sinais vitais (movimentos respiratórios) em Fernanda, que já estava coberta pela manta térmica. Ele iniciou imediatamente as manobras de reanimação.

4. Quais são as consequências para os envolvidos?
A médica do Samu que atestou o óbito foi afastada, e a Prefeitura de Bauru abriu uma sindicância interna. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar possível omissão de socorro e negligência médica. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também abriu uma sindicância para avaliar a conduta profissional.

5. Qual é o estado de saúde atual de Fernanda?
Fernanda permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base de Bauru, mas apresenta estabilidade clínica, responde a estímulos e está em processo de redução gradual dos sedativos, mantendo-se em ventilação mecânica.

6. Que medidas estão sendo tomadas para evitar que isso aconteça novamente?
As investigações em curso, tanto administrativas quanto criminais e éticas, têm como objetivo identificar as falhas e propor medidas corretivas nos protocolos de atendimento de emergência, bem como na formação e treinamento dos profissionais.

Acompanhe as atualizações deste caso e de outros acontecimentos importantes que impactam a comunidade local e regional.

Fonte: https://g1.globo.com

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