O brechó de luxo Desapego Legal, fundado em 2018 em São José dos Campos, no interior de São Paulo, declarou receitas milionárias ao longo dos anos. No entanto, clientes de todo o Brasil começaram a relatar a interrupção dos pagamentos pelas vendas de peças, o que levou à abertura de uma investigação policial e ao pedido de recuperação judicial da empresa, que acumulava uma dívida estimada em R$ 20 milhões. Em janeiro de 2026, os donos da empresa, Francine da Costa Prado e Filipe Prado dos Santos, foram presos na cidade durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.
O início do Desapego Legal e a ascensão do brechó
Em junho de 2018, o brechó Desapego Legal iniciou suas atividades em São José dos Campos, focando na revenda de bolsas, joias e acessórios de luxo, principalmente através das redes sociais. Nos anos seguintes, a empresa declarou receitas milionárias, com destaque para os anos de 2022 e 2023, quando registrou faturamentos de R$ 48,8 milhões e R$ 50,8 milhões, respectivamente. A presença digital do Desapego Legal cresceu, alcançando mais de 212 mil seguidores e ultrapassando 31 mil publicações, consolidando a operação do brechó como de grande porte.
A queda do faturamento e as denúncias de calote
No entanto, em 2024, o Desapego Legal declarou uma queda brusca no faturamento, que recuou para R$ 5,6 milhões, acumulando um prejuízo de R$ 14,6 milhões. Clientes de diversos estados passaram a relatar interrupção nos pagamentos e a não devolução de produtos enviados para venda, resultando em quase 100 ações judiciais e boletins de ocorrência registrados em diferentes regiões do país. A empresa também desocupou a sede física no Jardim Aquarius após problemas relacionados ao pagamento do aluguel.
A repercussão nacional e a prisão do casal
A situação do brechó ganhou destaque nacional em janeiro de 2025, após reportagem exibida no Fantástico apontar um prejuízo estimado em R$ 5 milhões. A empresária Francine da Costa Prado admitiu falhas administrativas e a Polícia Civil instaurou uma investigação, que passou a tramitar nas esferas criminal e cível. Em julho do mesmo ano, a defesa do Desapego Legal entrou com um pedido de recuperação judicial, aceito pela Justiça, que listou quase 700 credores com dívidas que somavam R$ 20 milhões.
A prisão do casal e desdobramentos judiciais
No dia 29 de janeiro de 2026, Francine da Costa Prado e Filipe Prado dos Santos foram presos no bairro Urbanova, em São José dos Campos, durante a execução de mandados de prisão temporária e busca e apreensão. No dia seguinte, passaram por audiência de custódia, na qual a Justiça manteve a prisão. Os advogados de defesa afirmaram que o casal sempre atendeu às convocações judiciais e que os meios processuais cabíveis serão adotados para a resolução do caso.
Fonte: https://g1.globo.com
