Na noite chuvosa da última sexta-feira (6), o Bloco Zona do Mangue e Vila Mimosa desfilou pelas ruas da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, em uma celebração marcada pela tentativa de integrar as trabalhadoras do sexo e romper estigmas históricos.
Desafios de integração
Apesar das homenagens e palavras de apoio, a maior parte das trabalhadoras da Vila Mimosa preferiu observar o bloco de carnaval a partir das calçadas e do interior dos bares. Alguns relatos, como o de Estrela, de 58 anos, revelam o receio de chamar a atenção e o medo de possíveis julgamentos.
Cleide Almeida, presidente do bloco e assistente social, destaca que a integração com as trabalhadoras do sexo enfrenta obstáculos, como o medo de exposição midiática e a falta de apoio financeiro para projetos sociais que promovam essa aproximação.
Barreiras socioeconômicas
Felipe Vasconcellos, líder da banda que anima o bloco, aponta que questões socioeconômicas, como a jornada de trabalho extensa e a responsabilidade familiar, dificultam a participação ativa das trabalhadoras nos eventos e atividades propostas pelo bloco.
Carnaval e comunidade
Apesar de não desfilar, Laísa, uma trabalhadora da Vila Mimosa, reconhece o valor do bloco para a região e destaca a importância de combater o preconceito por meio da valorização do espaço e das pessoas que ali trabalham.
A presidente do bloco ressalta que o objetivo dos desfiles é mostrar a humanidade por trás da profissão, convidando a sociedade a compreender e respeitar a história e a vida das trabalhadoras do sexo.
Transformações e resistência
A Vila Mimosa carrega consigo uma história que remonta à antiga Zona do Mangue, sendo consolidada como local de trabalho sexual na década de 1990. Movimentos sociais e associações buscam transformar a visão estigmatizada do lugar, promovendo a integração e a valorização das trabalhadoras.

