O excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera tem desencadeado um fenômeno silencioso e preocupante nos oceanos: a acidificação das águas marinhas. Esse problema, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis e outros fatores, está atingindo níveis críticos e ameaçando a vida marinha no Brasil e no mundo.
Impacto na biodiversidade
A acidificação dos oceanos tem um impacto variado e perigoso na vida marinha. Organismos como os recifes de corais e moluscos, que dependem do carbonato de cálcio para suas estruturas, estão crescendo mais lentamente e com estruturas mais frágeis. Além disso, os peixes estão sofrendo com a deterioração dos otólitos, estruturas responsáveis pelo equilíbrio e audição.
Outros processos biológicos também são afetados, como a sobrevivência de larvas e o comportamento dos organismos marinhos. Estudos científicos demonstram dificuldades na percepção de predadores, locomoção e busca por recursos, tornando os organismos mais vulneráveis no ambiente marinho.
Busca por soluções e a "geoengenharia"
Especialistas destacam a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa para lidar com a mudança climática. Além disso, a ciência busca formas de remediar os danos causados pela acidificação dos oceanos.
Uma das estratégias propostas é aumentar a capacidade de remoção de carbono da atmosfera, por meio de reflorestamento e restauração de ecossistemas terrestres e marinhos. Outra proposta mais controversa é a geoengenharia, que envolve a manipulação química direta para reduzir a acidez do oceano.
Meta 30×30 e áreas protegidas
Para o professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, a preservação ainda é a melhor defesa contra os impactos da acidificação dos oceanos. Uma das medidas em destaque globalmente é a Meta 30×30, que busca transformar pelo menos 30% dos oceanos em áreas protegidas até 2030, permitindo que os ecossistemas naturais resistam às mudanças climáticas.
Fonte: https://g1.globo.com
