O Congresso do Peru escolheu nesta quarta-feira (18) José María Balcázar Zelada como presidente interino para substituir José Jeri, destituído da Presidência do país. Esta não é uma situação isolada, já que o Peru enfrenta anos de instabilidade política, com presidentes destituídos antes do término de seus mandatos. Desde Ollanta Humala, nenhum governante conseguiu completar um mandato completo.
Impeachment rápido e mandatos incompletos
A crise política no Peru é atribuída, em parte, ao sistema político unicameral do país e à Constituição que permite um processo de impeachment rápido, conhecido como 'impeachment express'. Enquanto o Legislativo tem o poder de destituir o presidente, este por sua vez pode dissolver o Congresso em certas circunstâncias. A destituição de José Jeri ocorreu devido a um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês.
Os presidentes peruanos têm enfrentado dificuldades para completar seus mandatos. Nem José Jeri, nem sua antecessora, Dina Boluarte, conseguiram permanecer no cargo até o final do período previsto. Boluarte, que ocupou a presidência por quase três anos, é a que mais tempo permaneceu no cargo desde 2016.
Relações tensas entre presidente e Congresso
Desde o governo de Pedro Pablo Kuczynski, a relação entre presidente e Congresso tem sido tensa em Lima. Kuczynski renunciou após um escândalo de compra de votos de deputados para evitar um impeachment. Seu sucessor, Martín Vizcarra, foi efetivamente destituído. Manuel Merino renunciou após 5 dias e Francisco Sagasti assumiu até o final do mandato.
Sistema político unicameral do Peru
Diferentemente do Brasil, o Peru adota um sistema político unicameral, com um Congresso composto por 130 parlamentares. Até 1992, o país possuía um Senado, mas o presidente Alberto Fujimori promoveu um 'autogolpe', fechou o Congresso e estabeleceu uma nova Constituição, eliminando o Senado. Essa configuração se mantém até hoje.
Fonte: https://g1.globo.com
