© Gisele Alves Santana/ Instagram
Compartilhe essa Matéria

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro em seu apartamento, tem sido alvo de uma investigação que agora se aprofunda, distanciando-se da hipótese inicial de suicídio. Novos elementos, incluindo o depoimento de seu ex-marido e laudos necroscópicos detalhados, lançam uma nova luz sobre as circunstâncias de seu falecimento, apontando para um cenário mais complexo.

Inicialmente, a ocorrência foi reportada às autoridades como suicídio pelo tenente-coronel Geraldo Leite Neto, seu então marido, que estava presente no local. Contudo, a Polícia Civil, com o auxílio de novas evidências, revisita a cronologia e os fatos que cercam o trágico evento.

Depoimento Chave Contesta Versão Inicial

Em um desenvolvimento significativo para a investigação, o ex-companheiro de Gisele, com quem ela teve uma filha, prestou depoimento à Polícia Civil. Segundo José Miguel da Silva Junior, advogado da família da vítima, o ex-marido descreveu Gisele como uma mulher sem qualquer tendência suicida. Ele enfatizou que a policial tinha planos claros de mudança em sua vida pessoal, incluindo a intenção de se separar do então marido, alugar uma nova residência ou, alternativamente, retornar à casa de seus pais.

O depoimento sublinha ainda que Gisele mantinha uma boa relação com seu ex-marido e que jamais o agrediu, oferecendo um contraponto à narrativa de fragilidade emocional que poderia sustentar a tese de suicídio. As declarações do ex-companheiro se tornam um pilar fundamental para a família contestar a versão apresentada sobre a morte da policial.

Revelações Forenses Aprofundam o Mistério

Paralelamente ao depoimento, os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) trouxeram à tona descobertas cruciais que levantam sérias dúvidas sobre a causa da morte. O documento mais recente, datado de 7 de março e realizado após a exumação do corpo de Gisele, revelou a existência de lesões contundentes na face e na região cervical da policial. Essas marcas são compatíveis com pressão digital e escoriações características de estigma ungueal, ou seja, causadas por unhas.

Importante ressaltar que as menções a lesões na face e no pescoço, especificamente na lateral direita, já constavam no laudo necroscópico inicial, datado de 19 de fevereiro, apenas um dia após a morte de Gisele. A reiteração e detalhamento dessas lesões nos exames subsequentes fortalecem a hipótese de que a policial pode ter sido agredida antes de seu falecimento, colocando em xeque a explicação de um ato voluntário.

O Clima Familiar e a Investigação em Curso

A investigação também agregou informações sobre o ambiente familiar em que Gisele vivia. O ex-marido da policial relatou que a filha de Gisele demonstrava "pavor" de permanecer na residência com o senhor Geraldo Leite Neto, uma observação que, segundo o advogado da família, é de extrema relevância para o caso. Esse detalhe adiciona uma camada à compreensão do contexto doméstico e das relações dentro do apartamento onde Gisele foi encontrada morta.

Com o avanço das apurações, a Polícia Civil agora trabalha com um leque de possibilidades mais amplo, considerando todas as evidências apresentadas. A combinação do depoimento do ex-companheiro, que afasta a tese de suicídio, e dos laudos que apontam lesões físicas, sugere uma reorientação na linha investigativa para esclarecer completamente as circunstâncias que levaram à morte da policial militar Gisele Alves Santana.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br