G1
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A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro está imersa em uma profunda investigação que culminou no afastamento de cinco policiais penais. Eles são suspeitos de integrar um elaborado esquema, apelidado de 'máfia interna', que facilita a entrada irregular de cigarros contrabandeados e falsificados em diversas unidades prisionais do estado. O caso, que aponta para uma complexa rede de corrupção e disputa pelo controle do mercado ilegal, trouxe à tona a gravidade do problema dentro do sistema carcerário fluminense.

A Investigação da Corregedoria e o Esquema Interno

A Corregedoria da Seap conduz as apurações contra os cinco servidores, que já foram afastados de suas funções, incluindo um diretor de unidade que teve sua exoneração determinada. Relatórios internos da secretaria indicam uma intensa disputa entre grupos de policiais penais pelo monopólio do fornecimento de cigarros nas cadeias, transformando o produto em uma valiosa moeda de troca entre os detentos. A atuação desse grupo, que introduzia grandes quantidades de cigarros de forma ilícita, reforça as suspeitas de ligação direta com a máfia de cigarros do Rio, que tem entre seus principais articuladores Adilson Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, recentemente detido pela Polícia Federal.

Conexões com a Contravenção e Consequências Mortais

A investigação da Seap não se restringe à mera facilitação do contrabando; ela se aprofunda nas ramificações violentas dessa disputa. Documentos revelam que a organização criminosa teria imposto que todo cigarro comercializado nas unidades prisionais deveria ser exclusivamente de sua procedência. A resistência do grupo que anteriormente detinha o controle desse mercado clandestino gerou uma verdadeira guerra, resultando em pelo menos três mortes. Entre as vítimas, destaca-se a execução do policial penal Bruno Killier, ocorrida no Recreio dos Bandeirantes, em junho de 2023. As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) apontam o grupo de Adilsinho como responsável pela morte de Killier, cuja esposa confirmou à polícia que o casal atuava na venda de cigarros. Outras vítimas dessa violenta disputa foram Cristiano de Souza, proprietário de uma tabacaria, e o ex-policial militar Daniel Mendonça, reforçando a gravidade da infiltração da contravenção penal, supostamente de Duque de Caxias, no sistema penitenciário.

A Resposta da Seap: Regulação e Combate ao Ilícito

Diante do cenário alarmante, que incluiu apreensões significativas de cigarros – como uma carga de cerca de 400 maços em novembro passado, além de outros 1.400 maços identificados anteriormente –, a Seap viu-se compelida a agir. As apreensões levaram à abertura de uma sindicância interna e, posteriormente, à publicação de uma resolução em janeiro que visa regulamentar e restringir a entrada de cigarros nas unidades prisionais. A medida permite agora que visitantes presenciais introduzam até 12 maços legalizados, e os itens também podem ser adquiridos pelos familiares através das 'cestas de custódia', um sistema de venda online que oferece produtos de higiene, alimentos e cigarros regularizados. Segundo a secretária Maria Rosa Nebel, essa normatização é uma resposta direta aos 'alertas' gerados pelas mortes e pela crescente influência do crime organizado, buscando aprimorar e restringir a entrada de material ilícito pelas vias formais.

A luta contra a 'máfia do cigarro' nos presídios do Rio de Janeiro é um desafio complexo, que expõe as vulnerabilidades do sistema e a audácia das organizações criminosas. O afastamento dos policiais penais e a reformulação das regras de acesso são passos importantes para restaurar a ordem e a segurança nas unidades prisionais, mas a contínua investigação e o combate à corrupção interna serão cruciais para desmantelar de vez essa rede criminosa e impedir que a moeda de troca ilícita continue a financiar a violência e a desestabilizar o ambiente carcerário.

Fonte: https://g1.globo.com