G1
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Quase um ano após um incidente chocante que resultou na morte de sua cadela Pretinha por disparos de um policial militar em Guará, interior de São Paulo, a dona de casa Amanda Dourado ainda lida com as profundas cicatrizes emocionais. A Justiça paulista determinou uma indenização de R$ 12 mil ao estado, reconhecendo o dano moral, mas para Amanda, nenhum valor é capaz de preencher o vazio deixado pela perda de sua companheira de dois anos, uma ausência que a mantém sob tratamento psicológico e uso de medicamentos controlados.

O Trágico Incidente e a Resposta Judicial

O fatídico evento ocorreu em 14 de agosto de 2025, na Avenida Massuo Nakano, Centro de Guará, durante uma abordagem policial a um jovem suspeito de posse de drogas. Segundo relatos da Polícia Civil, a situação escalou quando familiares do jovem tentaram impedir a ação dos policiais, gerando um conflito. Em meio à confusão, três cães, incluindo Pretinha, saíram de uma residência para a rua. Embora dois dos animais tenham avançado e depois recuado, um dos policiais efetuou quatro disparos contra Pretinha, que veio a óbito no local.

Diante da morte da cadela, seus tutores levaram o caso à Justiça, ingressando com uma ação por danos morais contra o Estado de São Paulo. A sentença, proferida em 13 de março pelo juiz Otavio Henrique Pereira de Souza, descartou a argumentação do estado de que os PMs agiram em legítima defesa. O magistrado concluiu que o animal só escapou de casa porque um dos policiais arrombou o portão da residência, desqualificando, assim, a tese de ataque iminente e reconhecendo a responsabilidade do agente no desenrolar dos fatos que levaram à fatalidade.

O Reconhecimento do Dano Afetivo

A decisão judicial não apenas refutou a versão da defesa, mas também validou o sofrimento dos tutores. O juiz reconheceu explicitamente o dano moral provocado pela perda de Pretinha, fundamentando-se no vínculo afetivo profundo que existia entre o animal e sua família. Este reconhecimento reforça a importância que animais de estimação têm na vida de seus cuidadores, tratando a dor da perda como uma questão legalmente indenizável.

A Persistência da Dor e o Legado de Pretinha

Para Amanda Dourado, a indenização financeira, embora represente uma forma de justiça legal, é incapaz de mitigar a profunda angústia. Ela descreve Pretinha como um animal 'muito dócil' e 'bem tranquila', que tinha o hábito de dormir com ela e observar o movimento da rua de uma cadeira. As memórias dos momentos compartilhados e a forma brutal como a cadela foi morta continuam a assombrá-la, gerando a necessidade de acompanhamento psiquiátrico e psicológico.

Amanda expressa sua convicção de que os disparos foram realizados com malícia, reiterando que, mesmo diante da confusão, Pretinha já havia recuado e não representava mais ameaça. A tutora desabou no chão ao ver sua cadela ser baleada, um reflexo do trauma imediato que ainda reverberava em sua vida. A frase 'nenhum dinheiro no mundo vai trazer ela de volta' encapsula a essência de sua dor, mesmo ao reconhecer que, de alguma forma, a justiça dos homens foi feita, restando a esperança em uma justiça divina.

Enquanto a Procuradoria Geral do Estado aguarda notificação oficial da sentença, o caso de Pretinha se torna um triste lembrete do impacto de ações policiais na vida de cidadãos e seus animais, e da complexidade de lidar com a perda de um ente querido, mesmo quando a reparação legal é concedida. A história ressalta a importância do vínculo humano-animal e a necessidade de responsabilidade em todas as esferas de atuação.

Fonte: https://g1.globo.com