© Carlos Moura/SCO/STF
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Em um movimento crucial para a continuidade das investigações parlamentares, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), interveio para assegurar a possível prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão, proferida nesta semana, estabelece um prazo rigoroso para que a Mesa Diretora e a presidência do Congresso Nacional procedam com a leitura do requerimento de extensão dos trabalhos, sob pena de a própria comissão deliberar sobre seu futuro.

Mandado Judicial e o Prazo da CPMI

O despacho do ministro Mendonça determina que o requerimento para a prorrogação da CPMI do INSS seja lido no plenário do Congresso em até 48 horas. Caso esta exigência não seja cumprida dentro do prazo estabelecido, a própria CPMI será automaticamente autorizada a decidir sobre a extensão de suas atividades por meio de uma deliberação interna do colegiado. Esta medida visa evitar o encerramento dos trabalhos, cujo prazo regulamentar de 180 dias estava previsto para terminar em 28 de março.

A intervenção do STF atende a uma solicitação do senador Carlos Viana (PODEMOS-MG), que preside a comissão. Viana havia requisitado a ampliação do período de investigação parlamentar, alegando a ausência de resposta por parte do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, sobre o pedido de prorrogação protocolado.

Defesa da Continuidade e Abrangência da Investigação

Após a decisão do ministro Mendonça, o senador Carlos Viana reiterou sua defesa pela prorrogação da CPMI. Ele sugeriu uma extensão inicial de 60 dias, considerando-a suficiente para aprofundar as apurações e apresentar ao país um relatório mais completo e coerente sobre os desfalques identificados na Previdência Social. O presidente da comissão, no entanto, ponderou que, caso novos fatos relevantes surjam e exijam mais tempo, a comissão poderia estender-se por até 120 dias adicionais.

Além da prorrogação, o senador Carlos Viana manifestou também a necessidade de o Supremo Tribunal Federal reavaliar os habeas corpus concedidos a investigados. Segundo ele, tais decisões têm impedido depoimentos cruciais na CPMI, o que compromete a capacidade da comissão de obter todas as informações necessárias para suas conclusões.

O Direito da Minoria Parlamentar como Base da Decisão

A fundamentação jurídica da decisão de André Mendonça reside no entendimento de que o direito de instalar e prorrogar os trabalhos de uma CPMI é inerente às minorias parlamentares, desde que estas consigam o apoio de um terço dos membros do Congresso Nacional. O ministro reforçou que a maioria ou a direção do parlamento não pode criar obstáculos a esse processo, garantindo, assim, o funcionamento dos mecanismos de fiscalização legislativa. A determinação de Mendonça será agora submetida ao julgamento virtual da Segunda Turma do STF, para validação colegiada.

Essa medida judicial reforça a importância das CPMIs como instrumentos de controle e investigação do Poder Legislativo, garantindo que impedimentos burocráticos não paralisem apurações de interesse público. A continuidade dos trabalhos da CPMI do INSS promete trazer à luz mais informações sobre a gestão da Previdência Social e as responsabilidades por eventuais irregularidades.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br