Um incidente de agressão em sala de aula no Centro de Ensino Médio Antônio Póvoa, em Dianópolis, sudeste do Tocantins, mobilizou autoridades e acendeu um alerta sobre a segurança escolar. Na última segunda-feira, um estudante de 14 anos foi agredido por um colega, em um episódio que a família aponta como a culminância de um histórico de bullying. O caso resultou em lesões significativas para o adolescente e levou ao registro de um boletim de ocorrência, com a Polícia Civil já solicitando exames periciais para esclarecer os fatos.
Agressão Recente e o Impacto Físico no Estudante
De acordo com o relato da família à Polícia Civil, a agressão ocorreu durante o horário de aula e teve início com tapas na cabeça, seguidos por socos na região do olho. O impacto dos ferimentos foi considerável: o jovem precisou de atendimento de urgência em um hospital local, onde a ficha médica indicou edema, hematoma e uma lesão com sangramento ativo na pálpebra inferior do olho esquerdo. A gravidade do corte exigiu a aplicação de quatro pontos.
A irmã do adolescente, Hemily Guimarães, expressou a preocupação com o estado de saúde do irmão, que, segundo ela, amanheceu com dificuldades de visão no olho afetado. Para aprofundar a investigação sobre as lesões, um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) foi agendado, complementando a solicitação de perícia já feita pela Polícia Civil do Tocantins.
Histórico de Bullying: Uma Luta Contínua da Família
A engenheira civil Hemily Guimarães enfatizou que a agressão da última segunda-feira não foi um evento isolado, mas sim parte de um padrão de comportamento agressivo que seu irmão enfrenta desde que ingressou na instituição. Ela relatou que o bullying é uma realidade constante na vida do jovem dentro da escola.
Em um episódio ainda mais grave no ano anterior, o adolescente foi agredido por três alunos em frente à escola. As consequências foram severas, resultando em quase 60 dias de afastamento das aulas e na reprovação do oitavo ano. Este histórico reforça a alegação da família de que o ambiente escolar não tem sido seguro para o estudante, apesar das denúncias e do acompanhamento.
Ações da Seduc e Posições Divergentes
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que, ao tomar conhecimento do ocorrido, agiu imediatamente. A Superintendência Regional de Educação de Dianópolis está acompanhando o caso, e a equipe multidisciplinar da escola foi acionada para prestar assistência aos envolvidos, visando assegurar o cumprimento das normas de convivência. A Seduc detalhou que aplicou o protocolo de segurança e prevenção à violência escolar, convocou os responsáveis dos estudantes e suspendeu o aluno agressor por três dias. Além disso, a unidade escolar registrou um Boletim de Ocorrência e acionou o Conselho Tutelar, com acompanhamento social e psicológico para os estudantes e suas famílias a ser realizado pela equipe multiprofissional da Superintendência Regional.
A pasta também esclareceu que a situação ocorreu no retorno do intervalo, enquanto o professor ainda adentrava a sala, e teve origem em uma "prática inadequada entre os próprios alunos". A Secretaria afirmou que o docente agiu imediatamente ao perceber a situação, separando os estudantes e acionando a equipe gestora, o que, segundo a Seduc, demonstra que não houve omissão por parte da escola ou de seus profissionais. Contudo, em uma declaração que contrasta diretamente com o histórico familiar, a Seduc afirmou que "não há registro, por parte da escola, de episódios anteriores que caracterizem bullying entre os envolvidos" no incidente recente. A Secretaria reforça seu compromisso em não tolerar qualquer forma de violência no ambiente escolar.
Investigação em Andamento e Busca por Respostas
Enquanto a Polícia Civil aguarda os resultados do exame pericial para fundamentar a investigação e a família prepara-se para o exame de corpo de delito no IML, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada para comentar o caso, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem. A divergência entre o relato da família sobre um histórico de bullying e a afirmação da Seduc de ausência de registros adiciona complexidade ao caso, exigindo uma apuração minuciosa para que a verdade seja estabelecida e a segurança do ambiente escolar garantida.
Fonte: https://g1.globo.com
