© Paulo Pinto/Agencia Brasil
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Brasília, DF – Um marco significativo para a conservação e saúde ambiental da Amazônia foi alcançado nesta segunda-feira (6) com o lançamento de um inovador sensor de baixo custo para medição da poluição do ar. Desenvolvido em uma colaboração estratégica entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), o equipamento foi oficialmente apresentado durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília. A iniciativa visa preencher uma lacuna crítica no monitoramento da qualidade atmosférica, especialmente em regiões historicamente negligenciadas.

Expansão Crucial do Monitoramento Ambiental

A introdução deste novo sensor representa um avanço substancial para a Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024), que preconiza um monitoramento abrangente em todo o território nacional. Filipe Viegas Arruda, pesquisador do Ipam, destaca que o objetivo primordial é estender a coleta de dados para além dos centros urbanos, alcançando categorias fundiárias essenciais como comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais. Esta expansão é fundamental, considerando que, conforme o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, das 570 estações de monitoramento existentes no país, apenas 12 estão localizadas em Terras Indígenas, evidenciando uma cobertura desproporcional.

RedeAr: Uma Iniciativa Colaborativa e Integrada

O sensor é a peça central de um projeto ambicioso conhecido como RedeAr, que planeja iniciar suas operações em setembro. Esta rede terá como missão monitorar a poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal. A distribuição inicial do primeiro lote, composto por 60 sensores de tecnologia nacional, será facilitada pela rede Conexão Povos da Floresta, que articula o Ipam com outras entidades de peso, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Um dos aspectos mais inovadores da RedeAr é a integração dos dados coletados com índices de atendimento de doenças respiratórias, fornecidos pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo Telesaúde. Esta conexão permitirá uma compreensão mais profunda dos impactos da qualidade do ar na saúde das populações locais. Uma nota técnica do Ipam já revelou a urgência da situação, indicando que, em 2024, períodos de secas severas e queimadas resultaram em alarmantes 138 dias de ar nocivo à saúde nos estados amazônicos, desmistificando a percepção comum de que os habitantes da Amazônia respiram ar puro.

Inovação Tecnológica e Adaptação Amazônica

A tecnologia desenvolvida nacionalmente oferece vantagens significativas em comparação aos equipamentos importados, que frequentemente apresentam custos elevados, dificuldades de assistência técnica e garantia, além de serem inadequados para as condições climáticas e ambientais da Amazônia. O pesquisador Filipe Arruda detalha que os sensores importados são suscetíveis à entrada de insetos, como formigas e abelhas, e à ação da poeira, comprometendo sua funcionalidade. Em resposta a esses desafios, o modelo nacional incorpora um sistema de proteção interna robusto, garantindo maior durabilidade e precisão.

Adicionalmente, o equipamento brasileiro é projetado para armazenar dados localmente em caso de interrupção do sinal de internet e facilita a integração com dados gerados por outros modelos de sensores, otimizando o funcionamento em rede. A expectativa é que, com a integração dos novos dispositivos e futuras expansões, a RedeAr consiga instalar até 200 sensores até o final do ano. Essa expansão não visa apenas a coleta de dados, mas também a criação de programas de educação ambiental e o fortalecimento de políticas de prevenção e combate a queimadas. O sensor está exposto na tenda da Coiab como parte da programação do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre, que se estende até 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília.

Futuro Sustentável para a Amazônia

O lançamento deste sensor de baixo custo e a consolidação da RedeAr representam um passo fundamental na proteção ambiental e na promoção da saúde pública na Amazônia. Ao democratizar o acesso ao monitoramento da qualidade do ar e adaptar a tecnologia às realidades locais, o projeto não só fornece dados cruciais para a formulação de políticas eficazes, mas também empodera as comunidades a se tornarem agentes ativos na defesa de seu ambiente. Esta iniciativa é um exemplo contundente de como a inovação e a colaboração podem convergir para construir um futuro mais saudável e sustentável para uma das regiões mais vitais do planeta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br