© Stefan Kolumban/Divulgação
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Um fenômeno notável tem capturado a atenção de cientistas e da comunidade pesqueira: o reaparecimento frequente de tartarugas-cabeçudas (Caretta caretta) na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Essa espécie, classificada como ameaçada de extinção, tem demonstrado uma presença cada vez maior em áreas internas da baía, abrindo portas para descobertas significativas sobre seu comportamento e o estado ambiental da região.

Novos Registros e o Projeto Aruanã

Desde 2024, o Projeto Aruanã, dedicado à conservação de tartarugas marinhas no litoral fluminense, tem documentado de forma sistemática a presença desses animais. A marcação de dois indivíduos em currais de pesca, em abril de 2024, representa um marco científico, pois nunca antes houve registros tão detalhados de tartarugas-cabeçudas permanecendo no interior da baía. Essa iniciativa inédita promete impulsionar novas linhas de pesquisa sobre a espécie.

Comportamento e Hipóteses para o Retorno

Tradicionalmente, as tartarugas-cabeçudas habitam águas oceânicas, alimentando-se de crustáceos como camarões e lagostas. A sua crescente presença em ambientes estuarinos como a Baía de Guanabara está sob investigação. Relatos antigos mencionavam aparições esporádicas, mas sem o nível de documentação atual. A hipótese principal para essa mudança de comportamento sugere que os animais estão encontrando uma oferta abundante de alimento no interior da baía.

Monitoramento e Desafios Futuros

Para aprofundar o entendimento sobre este fenômeno, o Projeto Aruanã planeja uma nova fase de monitoramento, utilizando transmissores via satélite. O objetivo é mapear as rotas utilizadas pelas tartarugas, o tempo que permanecem na baía e as áreas que consideram preferenciais. Contudo, a Baía de Guanabara apresenta riscos significativos para a sobrevivência desses animais, incluindo poluição, colisões com embarcações, ingestão de lixo e capturas acidentais em redes de pesca.

Resiliência Ambiental e Colaboração Comunitária

Embora os registros atuais não permitam afirmar uma ligação direta com a melhora ambiental da baía, a presença das tartarugas-cabeçudas é vista como um indicativo da resiliência ecológica da região. Apesar dos desafios persistentes relacionados à poluição, a baía continua a abrigar uma biodiversidade notável. A colaboração de pescadores e moradores, que reportam avistamentos e auxiliam em resgates e marcações, é fundamental para o sucesso do monitoramento e para a coleta de dados biométricos e de saúde dos animais antes de serem soltos.

O Caso Jorge e o Impacto na Conscientização

O caso da tartaruga-cabeçuda Jorge, que após reabilitação e soltura surpreendentemente retornou à Baía de Guanabara, reforça a importância dessas iniciativas. Histórias como a de Jorge não apenas fascinam, mas também estimulam a consciência ambiental e o interesse público nas questões de conservação marinha e na saúde dos ecossistemas aquáticos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br