A comunidade de São Tomé do Paripe, em Salvador, enfrenta uma grave crise ambiental há 100 dias, marcada pela contaminação das águas da praia. O eletrotécnico Jocivaldo Nascimento, de 48 anos, descreve como o aroma fresco do mar foi substituído pelo odor insuportável de amônia, resultado de poluição que se tornou evidente em fevereiro deste ano.
Impactos da Contaminação
Mais de 18 mil moradores da região são afetados diretamente pela contaminação, que compromete não apenas a saúde pública, mas também a subsistência das famílias que dependem da pesca. A promotora de justiça Hortênsia Gomes Pinho informa que cerca de 10,7 mil indivíduos enfrentam riscos significativos devido à poluição, que se acredita ter origem no Terminal Marítimo de Granéis (TMG), atualmente operado pela Terminal Itapuã – Intermarítima.
Causas da Contaminação
As operações do terminal, que incluíam atividades da Gerdau até 2022, levantam suspeitas sobre a responsabilidade pela contaminação. A promotora defende a necessidade urgente de medidas corretivas, como a construção de barreiras hidráulicas para conter a poluição e a realização de investigações adequadas.
Ação Judicial e Medidas Emergenciais
A promotora planeja entrar com uma ação pública na Justiça Federal em breve, com o apoio do Ministério Público Federal e da Defensoria Pública. A proposta é que um decreto de emergência seja emitido, facilitando a identificação das vítimas e garantindo que as empresas responsáveis sejam compelidas a agir em prol da comunidade.
Resultados das Investigações
Inspeções realizadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) revelaram altos níveis de contaminantes no sedimento e na água, confirmando a presença de compostos perigosos. As empresas responsáveis foram notificadas e devem apresentar ações de remediação ambiental.
Consequências para a Saúde e o Meio Ambiente
Devido à contaminação, a área foi classificada como imprópria para banho, e o Inema recomenda que a população evite qualquer atividade nas proximidades. Jocivaldo Nascimento e outros moradores relatam que a situação se agravou nos últimos anos, com a morte de peixes e o surgimento de problemas de saúde entre os jovens da comunidade.
Protestos e Mobilização Comunitária
A comunidade tem se mobilizado em protestos contra as práticas da Intermarítima, que opera em horários que perturbam a rotina local. Reuniões semanais mediadas pelo Ministério Público têm sido realizadas para discutir soluções e garantir que as vozes da população sejam ouvidas.
A situação em São Tomé do Paripe é um exemplo claro de racismo ambiental, onde comunidades vulneráveis enfrentam os impactos mais severos da poluição. A mobilização e o apoio institucional são cruciais para que se possa restaurar a saúde do ecossistema e a qualidade de vida dos moradores.

