© Tomaz Silva/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

Um estudo recente revelou que 66% das cidades brasileiras ainda não possuem planos adequados para lidar com calor extremo. Essa pesquisa foi apresentada pela presidência da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Contexto da Pesquisa

A análise faz parte da iniciativa global chamada Mutirão Contra o Calor Extremo (Beat the Heat), que integra a Coalizão pelo Resfriamento (Cool Coalition). Atualmente, 258 cidades estão engajadas na iniciativa, sendo 105 delas localizadas no Brasil. O estudo foi realizado em 53 cidades e revelou um paradoxo: embora 93% dos gestores reconheçam o calor extremo como um problema significativo, apenas uma fração dessas cidades possui uma resposta efetiva.

Desafios Identificados

Os dados coletados mostram que 75% das cidades não utilizam informações de maneira estruturada para embasar suas decisões sobre o calor extremo. Além disso, 85% dependem de recursos externos para suas ações de adaptação, e apenas 42% contam com sistemas de informações geográficas para mapear os riscos associados ao calor.

Soluções em Foco

As medidas atualmente adotadas estão focadas, principalmente, em soluções baseadas na natureza. Arborização urbana, criação de áreas sombreadas e parques são estratégias presentes em 77% das cidades analisadas. Em contraste, apenas 21% implementam soluções de resfriamento passivo, como ventilação cruzada e isolamento térmico. Veja também: Como Funciona a NBA: Regras e Formato do Campeonato.

Consequências do Calor Extremo

Os pesquisadores definem o calor extremo como um fenômeno que se estende por vários dias, onde as temperaturas noturnas não oferecem alívio. Esse acúmulo de calor compromete a saúde pública, com o Pnuma apontando para cerca de 500 mil mortes anuais no mundo em decorrência desse fenômeno. No Brasil, entre 2000 e 2020, as ondas de calor foram responsáveis por aproximadamente 50 mil mortes em áreas metropolitanas.

A Importância da Colaboração

Ana Toni, CEO da COP30, enfatiza que a adaptação a essa nova realidade exige uma colaboração eficaz entre os diversos setores da sociedade e os diferentes níveis de governo. O Mutirão Contra o Calor Extremo, criado em 2025, visa auxiliar os municípios na elaboração de planos de ação e estratégias de financiamento, buscando aumentar a resiliência urbana.

Perspectivas Futuras

Nos próximos 12 a 18 meses, 51% das cidades participantes planejam desenvolver políticas municipais completas para enfrentar o calor extremo, e 28% pretendem realizar intervenções em áreas vulneráveis. Essas ações têm o potencial de beneficiar cerca de 7 milhões de pessoas entre os 50 milhões que habitam as cidades envolvidas.

Ameaças Adicionais

A urgência em acelerar essas iniciativas é intensificada pela previsão de um possível ‘Super El Niño’ em 2026, conforme indicado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Essa situação ressalta a necessidade de preparação adequada para enfrentar os desafios climáticos que se avizinham.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br