© Valter Campanato/Agência Brasil
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Vera Lacerda, uma professora e historiadora baiana de 79 anos, é a mente criativa por trás do bloco e instituto Ara Ketu, fundados em março de 1980 no bairro de Periperi, em Salvador. Sua história é marcada pelo desejo de promover mudanças sociais e proporcionar oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade.

A Gênese do Ara Ketu

Em um evento recente, Vera compartilhou suas motivações no Festival Latinidades em Brasília. A ideia de criar o Ara Ketu surgiu de sua indignação em relação às desigualdades sociais que afligem o subúrbio ferroviário de Salvador. Junto com seu primo Augusto César, que faleceu em 2016, Vera utilizou a música como uma ferramenta de transformação, almejando afastar os jovens do tráfico de drogas e da marginalização.

Impacto Social e Reconhecimento

Desde a sua criação, o Ara Ketu já beneficiou mais de três mil jovens, oferecendo cursos nas áreas musical e profissional. O reconhecimento do bloco ultrapassou fronteiras, recebendo destaque tanto no Brasil quanto internacionalmente. Vera considera o maior prêmio o agradecimento sincero de ex-alunos que encontraram novas oportunidades através do instituto.

Inspiração para Novas Gerações

Vera Lacerda serve como um exemplo inspirador, especialmente para o bloco Didá, que é voltado exclusivamente para mulheres. Débora Souza, sua presidente, enfatiza a importância do tambor como meio de expressão e empoderamento feminino. Desde 2009, mais de cinco mil mulheres passaram pelo bloco, que busca garantir a liberdade e a voz de cada uma delas. Veja também: Como Treinar para o Futebol de Forma Eficiente: Guia Completo.

A Importância da Cultura na Periferia

No mesmo painel do Festival, a cantora e radialista Denise Oliveira, oriunda da periferia de Brasília, ressaltou como iniciativas culturais como o Ara Ketu e o Didá têm promovido mudanças significativas na vida das pessoas. Denise, que desde os 15 anos se dedica à cultura, criou o projeto ‘Vozes da Diversidade’, que deu voz a artistas periféricos e foi indicado ao prêmio WME da Billboard em 2024.

Essas histórias de empoderamento e resistência demonstram como a arte e a cultura podem ser poderosos agentes de transformação social, especialmente em comunidades marginalizadas.

Conclusão

A trajetória de Vera Lacerda e os blocos Ara Ketu e Didá exemplificam o papel fundamental que a cultura desempenha na luta contra a desigualdade social. Através da música e da arte, essas iniciativas não apenas empoderam jovens e mulheres, mas também promovem uma mudança cultural duradoura nas comunidades, reafirmando a importância da inclusão e da representatividade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br