© Valter Campanato/Agência Brasil
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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, conhecido como Itamaraty, manifestou preocupações sobre a possibilidade de intervenções militares dos Estados Unidos no país. Esse alerta surge após a classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Alerta Oficial do Itamaraty

Em um documento recente, enviado ao Congresso em 1º de julho e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty enfatizou que ‘há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro’. Essa resposta foi dada a um pedido de informações do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES).

Consequências da Classificação como Terroristas

A classificação das facções como terroristas pode resultar em impactos econômicos e comprometer a soberania do Brasil. O chanceler alertou que as autoridades dos EUA poderiam adotar medidas administrativas e legais de forma unilateral contra cidadãos e empresas brasileiras.

Essa preocupação foi reafirmada após o Departamento do Tesouro dos EUA sancionar indivíduos e empresas brasileiras com supostos vínculos ao PCC, indicando uma intensificação das ações contra o crime organizado.

Implicações para a Soberania Nacional

Mauro Vieira ressaltou que a classificação das facções pode ser utilizada como justificativa para ações extraterritoriais que afetam instituições brasileiras, especialmente nas áreas financeira, migratória e penal. Ele destacou a ausência de uma comunicação formal dos EUA ao Brasil sobre essa designação, considerando que tal classificação não traria benefícios reais para a segurança de ambos os países.

Riscos de Militarização da Agenda Regional

Em um documento anterior, direcionado ao deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), o ministro já havia advertido sobre os riscos de militarização da agenda de combate ao crime organizado na região. Ele argumentou que essa reclassificação poderia aumentar os custos de conformidade das empresas e impactar negativamente atividades legítimas.

Confusão entre Crime Organizado e Terrorismo

O chanceler enfatizou que a ampla interpretação da legislação antiterrorismo dos EUA pode trazer sérias consequências para cidadãos brasileiros, além do potencial uso da força militar. Ele argumentou que essa situação compromete a cooperação entre as forças policiais dos dois países, ao misturar fenômenos distintos, como crime organizado e terrorismo.

Assim, o Itamaraty continua atento às repercussões da designação das facções criminosas e busca formas de proteger a soberania e a segurança do Brasil diante de ações externas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br