Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), realizada recentemente, representantes de povos tradicionais e da sociedade civil levantaram vozes críticas contra a postura dos Estados Unidos. O país tem se oposto à inclusão de temas sociais relevantes nas discussões, especialmente no que diz respeito à igualdade de gênero.
A Questão de Gênero na COP17
Um dos pontos mais controversos da conferência é a discussão sobre gênero, que visa promover a equidade de direitos e uma maior representatividade feminina. Beth Roberts, articuladora de gênero presente no evento, denunciou que os EUA exigiram a exclusão da palavra ‘gênero’ de qualquer debate, classificando essa questão como inegociável.
Impactos do Nacionalismo e Autoritarismo
Beth destacou que a postura do governo americano reflete um nacionalismo e autoritarismo que dialogam com estruturas patriarcais. Ela afirmou que esses elementos estão interligados às discussões sobre poder que permeiam a conferência, enfatizando a importância da solidariedade entre os países para enfrentar tais bloqueios.
O Consenso e os Desafios nas Negociações
As decisões na COP17 devem ser tomadas por consenso, e a objeção de uma única nação pode travar o progresso de toda a agenda. Beth argumentou que é essencial que os países se unam para preservar o espaço de diálogo e garantir que um único país não imponha sua vontade sobre os demais.
Vozes Indígenas e a Urgência da Ação
Jennifer Tauli Corpuz, representante do povo indígena Kankana-ey Igorot, ressaltou a importância do consenso em suas comunidades, que não deve ser confundido com bloqueio. Ela enfatizou que as nações precisam agir com coragem diante das crises climáticas e sociais, lembrando sua responsabilidade em responder aos desafios reais que afetam a população.
A Importância da Participação da Sociedade Civil
Hindou Oumarou Ibrahim, líder do povo pastoral Mbororo, destacou a necessidade de integrar ciência e conhecimentos tradicionais nas discussões. Ela afirmou que a sociedade civil não deve ser apenas observadora, mas parte ativa das decisões. Ibrahim questionou a razão pela qual vozes reconhecidas fora das salas de negociação são excluídas dos processos decisórios.
O Papel do Brasil e da União Europeia
O Brasil e a União Europeia têm se destacado na defesa da inclusão da sociedade civil nas negociações. Durante um evento paralelo, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reiterou a importância de envolver aqueles mais afetados pelas políticas discutidas, condenando a exclusão da participação da sociedade civil nas deliberações da convenção.
Diante das críticas e desafios apresentados, é evidente que a COP17 precisa encontrar um caminho para garantir que todas as vozes sejam ouvidas e que a agenda social, especialmente a questão de gênero, seja devidamente considerada nas tratativas que moldarão o futuro.

