Uma recente pesquisa conduzida por especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein revelou um aumento significativo na distribuição de medicamentos para esclerose múltipla pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2019 e 2023. A análise destacou um crescimento de 44,5% na distribuição do Natalizumabe, um fármaco direcionado a pacientes com formas mais agressivas da doença.
Mudanças nas Diretrizes e Impactos Observados
A pesquisa também evidenciou uma maior adoção de terapias de alta eficácia, enquanto o uso de medicamentos injetáveis menos eficazes diminuiu. Durante o mesmo período, o número de pacientes em tratamento pelo SUS cresceu 25,9%, revelando um maior acesso a cuidados especializados.
Estudo e Políticas Públicas
O estudo avaliou os efeitos da atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para esclerose múltipla, implementado em 2021. Foram analisados mais de 1,7 milhão de registros de distribuição de medicamentos, com os resultados publicados na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders. A neurologista Lívia Almeida Dutra, uma das autoras do estudo, destacou a importância das políticas públicas baseadas em evidências científicas para melhorar a prática clínica.
Ela enfatizou que a incorporação de terapias mais eficazes nas diretrizes aumenta as chances dos pacientes receberem tratamentos que controlam melhor a doença e reduzem o risco de incapacidade ao longo do tempo.
Evidências e Resultados do Estudo
A pesquisa revelou que a atualização do protocolo nacional permitiu que a migração para terapias de alta eficácia aumentasse em 82%, enquanto as trocas entre medicamentos de eficácia similar diminuíram em 54%. Isso demonstra uma maior adesão a estratégias terapêuticas baseadas nas mais recentes evidências científicas.
Além disso, a taxa de incorporação das novas terapias variou entre os estados, sendo mais rápida nas regiões com uma maior concentração de neurologistas e centros especializados em esclerose múltipla.
Importância do Monitoramento
Lucas Hernandes Correa, gerente do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde do Hospital Israelita Albert Einstein, destacou a relevância do acompanhamento de grandes bases de dados para avaliar a eficácia das políticas públicas. Esse monitoramento é essencial para orientar investimentos em infraestrutura e capacitação profissional, garantindo um sistema de saúde mais centrado nas necessidades dos pacientes.
Conclusão
A atualização das diretrizes de tratamento da esclerose múltipla no SUS, com a inclusão de novas evidências científicas, mostra-se promissora, aumentando o acesso a terapias eficazes e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. O fortalecimento da rede de atendimento especializado é fundamental para garantir que essas melhorias sejam aproveitadas em todas as regiões do Brasil.

