© Luiz Cláudio/ Agência Brasil

A escritora e pesquisadora Carla Akotirene, em uma palestra proferida durante o 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) na Universidade de Brasília, criticou a superficialidade com que o racismo é abordado na sociedade brasileira. Segundo ela, a discussão sobre o racismo foi reduzida a estereótipos simplistas, como o ato de chamar alguém de ‘macaco’.

Racismo Estrutural e Institucional

Akotirene enfatiza que o racismo é uma forma de violência que se manifesta de maneira estrutural e institucional, não se limitando a ofensas diretas que podem ser capturadas em vídeos. Ela ressalta que, em contextos como penitenciárias e unidades de saúde, as discriminações ocorrem diariamente, porém, não são visíveis publicamente.

A Invisibilidade das Violências

A pesquisadora argumenta que a ausência de registros em ambientes como cadeias se deve à falta de acesso a dispositivos de filmagem e à própria natureza opressora do sistema. A realidade, segundo ela, é que a prisão em si representa uma forma de racismo, intensificando a discriminação contra pessoas negras e pardas.

Desafios da Pesquisa e do Conhecimento

Carla Akotirene defende que é crucial que os pesquisadores se aprofundem na legislação penal brasileira. Ela critica a falta de conhecimento sobre as normas que regem o tratamento de presos, especialmente no que diz respeito à violência contra mulheres nas prisões, apontando que o Estado muitas vezes se torna o agressor.

A Luta das Mulheres Negras

Akotirene destaca que as mulheres negras continuam a enfrentar um ciclo de subalternização e opressão, sendo frequentemente vítimas de violência estatal e patriarcal. Este contexto histórico, segundo ela, é uma continuidade da escravidão.

Objetivos do Congresso e Reflexões sobre a Luta Antirracista

O 14º Copene visa discutir iniciativas de pesquisa, ensino e extensão que abordem as relações étnico-raciais no Brasil. O evento inclui uma programação diversificada que busca valorizar experiências comunitárias, acadêmicas e políticas na luta antirracista.

A Importância do Movimento Negro

Carla Akotirene, que foi a primeira de sua família a ingressar no ensino superior, reflete sobre a importância do movimento negro na reconfiguração das universidades públicas. Ela ressalta o custo de vidas que possibilitaram avanços na inclusão e na luta contra o racismo.

Conclusão

A palestra de Carla Akotirene destaca a necessidade de uma compreensão mais profunda e abrangente do racismo na sociedade brasileira. A luta contra a discriminação racial deve ir além de atos isolados e se concentrar em discutir e combater as estruturas que perpetuam a violência e a desigualdade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br