A ditadura militar no Paraguai, liderada pelo general Alfredo Stroessner, perdurou de 1954 a 1989, consolidando-se como a mais longa da América do Sul. Durante esses 35 anos, o regime foi responsável por graves violações de direitos humanos, incluindo a prisão de cerca de 20 mil pessoas, tortura de 19 mil e a morte de 60, conforme dados da Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai.
Violência e Impunidade
Entre os grupos mais afetados por esse regime estiveram os indivíduos LGBTQI+. Um caso emblemático é o do locutor de rádio Bernardo Aranda, assassinado em 1959. Sua morte, que permanece sem solução, é considerada pela Comissão da Verdade e Justiça como possivelmente orquestrada pelo governo militar.
A História de Narciso
A trágica história de Aranda inspirou o livro “Narciso”, escrito por Guido Rodríguez Alcalá, que agora ganhou uma adaptação cinematográfica intitulada “Quién Mato a Narciso?” sob a direção de Marcelo Martinessi. O filme, que aborda a violência da ditadura, foi premiado na Mostra Panorama do Festival de Berlim e recentemente exibido no Bonito CineSur.
Reflexões do Ator Diro Romero
O ator Diro Romero, que interpreta Narciso, destaca a importância de trazer essas histórias à luz. Durante a apresentação do filme, ele observou que muitos crimes permanecem sem respostas, refletindo uma realidade ainda presente no Paraguai e em outros países da América do Sul, onde a história de desaparecimentos e torturas continua sem esclarecimento.
Avanços no Cinema Paraguaio
O filme “Quién Mato a Narciso?” representa uma nova fase para o cinema paraguaio, que tem se beneficiado de políticas recentes, como a Lei do Cinema de 2018 e a criação do Instituto Nacional do Audiovisual. Estas iniciativas visam promover a produção audiovisual e facilitar coproduções entre os países do Mercosul.
O Impacto de 7 Caixas
O ator e produtor Celso Franco menciona que o cinema paraguaio começou a ganhar destaque após o sucesso de “7 Caixas” em 2012, que atraiu 300 mil espectadores. Ele acredita que as recentes políticas de incentivo ao audiovisual estão finalmente permitindo que o Paraguai conte suas próprias histórias.
O futuro do cinema paraguaio parece promissor, com muitas narrativas aguardando para serem exploradas e contadas. A união e a solidariedade entre os países sul-americanos são essenciais para garantir que as lições do passado não se repitam.
