© Journal of South American Earth
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Recentemente, cientistas apresentaram uma nova espécie de peixe pré-histórico que habitou a Terra há aproximadamente 254 milhões de anos. Este achado, que contou com a colaboração da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi localizado em Alto Garças, Mato Grosso, e se destaca pela excepcional preservação do fóssil, oferecendo uma visão única da biologia do continente sul-americano em um período crítico de mudanças geológicas.

Características do Fóssil e Sua Importância

A nova espécie, pertencente ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), é um dos representantes mais bem preservados do Permiano já descobertos no Brasil. Com um comprimento aproximado de 15 centímetros, o peixe exibia um corpo coberto por escamas resistentes, compostas de dentina e esmalte, materiais também presentes nos dentes humanos. Essa preservação impressionante torna o espécime um achado raro, visto que a maioria dos fósseis dessa era é encontrada apenas em fragmentos.

Ecossistema Pré-Extinção e Alimentação

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em um vasto sistema aquático que se formou a partir de um antigo mar interior, quando a América do Sul e a África estavam unidas no supercontinente Gondwana. A análise dos dentes pequenos sugere que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e vegetação aquática, contribuindo para a compreensão de um ecossistema que existia antes da extinção Permo-Triássica, um dos maiores eventos de extinção em massa da história, que eliminou cerca de 78% da vida terrestre.

Relevância Geológica e Científica

Além de sua importância paleontológica, a localização do fóssil, a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, a maior estrutura do tipo na América do Sul, acrescenta uma camada extra de interesse à descoberta. Essa coincidência geológica permite explorar conexões entre eventos de impacto e alterações ambientais que podem ter influenciado a vida na Terra.

Contribuição para a Pesquisa Paleontológica

A pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zootecnia da Uerj, salientou que a excepcional preservação do espécime pode auxiliar na identificação de sua presença em outras áreas da Bacia do Paraná, além de possibilitar novas correlações entre formações geológicas distintas. O fóssil foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira e está atualmente na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Essa descoberta não apenas enriquece nosso entendimento sobre a biodiversidade do passado, mas também destaca a necessidade de continuar explorando e estudando os fósseis continentais do Paleozoico na América do Sul, ainda pouco conhecidos pela comunidade científica.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br