A partir de 2027, a 58ª Legislatura do Congresso Nacional, composta por senadores e deputados federais, enfrentará um cenário alarmante em relação à agenda ambiental e climática. De acordo com uma análise do Observatório do Clima, uma expressiva maioria, sete em cada dez parlamentares, se opõe a questões socioambientais, o que pode ter repercussões significativas para a proteção ambiental no Brasil.
Análise do Índice de Convergência Ambiental
O índice de convergência ambiental, que avalia o alinhamento dos parlamentares com pautas climáticas, revelou que 68,9% dos congressistas estão classificados nas faixas de baixa ou muito baixa convergência. A metodologia utilizada pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade categoriza o alinhamento em quatro faixas distintas: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).
Resultados por Casa Legislativa
No Senado, a situação é ainda mais preocupante, com 79% dos senadores apresentando baixo ou nenhum alinhamento com iniciativas de conservação e enfrentamento das mudanças climáticas. Dentre os 81 senadores, apenas 17 estão nas faixas boa ou muito boa, o que representa uma queda em relação à legislatura anterior, onde 71,6% estavam na faixa baixa ou muito baixa.
Câmara dos Deputados
Na Câmara dos Deputados, a situação é igualmente crítica, com 67,3% dos 513 parlamentares classificados nas faixas baixa ou muito baixa de convergência ambiental. Apenas 7,8% estão na faixa boa e 25% na faixa muito boa. Essa deterioração é atribuída ao crescimento de partidos de extrema direita, que historicamente tendem a ter uma postura desfavorável em relação às questões ambientais.
Implicações para a Proteção Ambiental
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, expressa preocupação com as possíveis consequências desse cenário, como a diminuição da eficácia dos órgãos ambientais e o aumento de práticas prejudiciais ao meio ambiente, como a anistia a grileiros e a redução da proteção de florestas e biomas.
Considerações Finais
Este novo quadro legislativo representa um desafio significativo para a agenda ambiental no Brasil. Com uma predominância de parlamentares que não priorizam a proteção ambiental, os próximos quatro anos exigirão um esforço renovado por parte de ativistas e defensores do meio ambiente para mitigar os retrocessos e garantir ações efetivas em resposta à crise climática.



