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Um homem que se passava por médico será julgado por júri popular nesta quinta-feira, em Sorocaba, São Paulo, acusado de homicídio com dolo eventual pela morte de uma paciente cardíaca em 2011. Fernando Henrique Dardis, que utilizava o nome falso de “doutor Ariosvaldo”, atendeu Helena Rodrigues em um hospital da cidade, diagnosticando-a erroneamente com dor lombar, quando ela, na verdade, apresentava sintomas de infarto.

Dardis prescreveu medicamentos para dor, e no dia seguinte, Helena sofreu uma parada cardiorrespiratória em casa, vindo a falecer. A fraude foi descoberta pela polícia, que considerou Fernando culpado pela morte. Em uma tentativa de evitar a responsabilização penal, o acusado chegou a simular a própria morte em janeiro de 2025.

Com a descoberta da farsa e a confirmação de que Fernando está vivo, o julgamento foi agendado para o Fórum Criminal de Sorocaba. Ele responderá por homicídio com dolo eventual, quando o agente assume o risco de matar.

Fernando Dardis está preso preventivamente desde junho deste ano, após a divulgação do caso. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também investiga a conduta do falso médico.

Em 2011, Dardis trabalhava na Santa Casa de Sorocaba, usando o nome de outro profissional, “doutor Ariosvaldo”. Ele também é réu em outro processo por homicídio, referente à morte de Therezinha Monticelli Calvim, ainda pendente de julgamento.

Sete jurados decidirão o futuro do acusado, votando pela condenação ou absolvição. Em caso de condenação, a pena pode variar de 12 a 30 anos de prisão. A sentença será proferida pelo juiz.

Para sustentar a fraude, Fernando utilizava um documento com o nome e número de registro profissional de um médico verdadeiro, além de ter falsificado a data de nascimento em seu RG. De acordo com a polícia, o número do CRM utilizado pertencia a um profissional legítimo. Fernando assinou mais de 200 declarações de óbito, embora isso não necessariamente o responsabilize por todas as mortes.

Embora tenha cursado medicina até o sétimo semestre, Fernando não concluiu a graduação. Ele admitiu ter se passado por médico entre 2011 e 2012, período em que foi condenado por falsidade ideológica. Fernando alegou ter obtido os documentos do médico verdadeiro durante um estágio em um centro hospitalar, onde o profissional trabalhava.

A fraude foi descoberta após denúncias de pacientes e familiares. O Ministério Público (MP) descobriu que ele forjou a própria morte para evitar o julgamento, obtendo um atestado de óbito falso e falsificando documentos do Cemitério Municipal Campo Santo, em Guarulhos, substituindo seu nome pelo de um idoso sepultado no local.

Em vídeo divulgado por seus advogados antes da prisão, Fernando afirmou estar vivo e agido sozinho, “em um momento de desespero”, alegando que a paciente Helena foi atendida por outros médicos e que não há provas de sua responsabilidade no crime.

Em 2012, Fernando foi condenado por portar distintivo da Polícia Civil e munições em seu carro, mesmo não sendo policial.

Fonte: g1.globo.com

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