O Museu de Arte do Rio (MAR) presta uma homenagem ao poeta, diplomata e compositor Vinicius de Moraes, no mês em que se completam 112 anos de seu nascimento. A celebração ocorre através de uma exposição abrangente que explora a vida e obra de um dos ícones da cultura brasileira.
Composta por mais de 300 itens, a mostra oferece um panorama da trajetória de Vinicius, incluindo manuscritos, fotografias, vídeos, livros e diversas obras de arte. Um dos destaques é o “Retrato de Vinicius”, pintura de Cândido Portinari, exibida pela primeira vez na cidade. Há também um espaço dedicado à “Arca de Noé”, com ilustrações de Elifas Andreato, que encantam gerações desde a década de 1970.
Nascido no Rio de Janeiro, em 1913, Vinicius demonstrou talento precoce para a escrita, compondo seus primeiros versos aos nove anos. Ainda na infância, formou um grupo musical com colegas, o que o levou a assinar sua primeira letra gravada, “Loira ou Morena” (1932). No ano seguinte, publicou seu primeiro livro de poemas, “O Caminho para a Distância”, atraindo a atenção de nomes como Manuel Bandeira e Mário de Andrade.
Apesar de formado em Direito, Vinicius optou por seguir seu caminho na arte, transformando em palavras e músicas suas experiências. Exerceu diversas funções, como diplomata, jornalista, crítico de cinema, dramaturgo, letrista e cantor. Serviu no Itamaraty entre 1946 e 1968, até ser compulsoriamente aposentado durante o regime militar.
Encontrou nas parcerias musicais sua expressão mais popular. Com Tom Jobim, criou a Bossa Nova, marcando o imaginário do Rio dos anos 1950. Com Toquinho, formou uma dupla que resultou em mais de cem canções e inúmeras apresentações.
De acordo com o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), Vinicius compôs mais de 700 obras musicais, com 709 composições e 527 gravações registradas. Sua obra explora temas como o amor, a infância, a fé, a boemia, o lirismo e a ironia.
Entre seus livros mais notáveis estão “Forma e Exegese” (1935), “Poemas, Sonetos e Baladas” (1946), “Livro de Sonetos” (1957) e “A Arca de Noé” (1970). No teatro, “Orfeu da Conceição” (1954) adaptou o mito grego para o contexto carioca e inspirou o filme “Orfeu Negro”, premiado em Cannes.
Vinicius de Moraes faleceu em 9 de julho de 1980, aos 66 anos, vítima de edema pulmonar, deixando um legado inestimável para a cultura brasileira.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
