© Arquivo/MDS
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É essencial abordar a gravidez na adolescência para reduzir a desigualdade no Brasil e na América Latina. A afirmação foi feita pelo ministro da Saúde, que defende um debate amplo sobre o tema, envolvendo escolas e espaços religiosos.

Durante um evento promovido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Brasília, o ministro enfatizou a importância do diálogo com líderes religiosos presentes nas comunidades. Segundo ele, as igrejas, em suas diversas denominações, representam importantes espaços de convivência e acolhimento, especialmente para as populações mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde está reorganizando a atenção primária para que os profissionais de saúde conheçam os territórios onde atuam, algo que foi prejudicado pela pandemia de Covid-19. O ministro ressaltou a necessidade de se engajar com as igrejas, especialmente aquelas que, segundo ele, tentam esconder o protagonismo das mulheres.

O evento “Futuro Sustentável – Prevenção da Gravidez na Adolescência na América Latina e Caribe” reuniu representantes de governos, organismos internacionais e especialistas para fortalecer a cooperação e as políticas públicas voltadas à redução da gravidez na adolescência.

Embora as taxas de gravidez na adolescência tenham diminuído na América Latina e no Caribe, a região ainda apresenta a segunda maior taxa de fecundidade adolescente do mundo, atrás apenas da África Subsaariana. A cada 20 segundos, uma adolescente se torna mãe na região, resultando em cerca de 1,6 milhão de nascimentos por ano.

A gravidez na adolescência está fortemente associada à pobreza, evasão escolar e desigualdade de gênero. No Brasil, 12% dos nascidos vivos têm mães adolescentes. O ministro reforçou que a gravidez na adolescência geralmente não é desejada ou planejada, mas sim resultado da falta de acesso a tecnologias, informações e direitos básicos, como proteção contra a violência.

O ministro argumenta que os adolescentes muitas vezes não têm espaço para pressionar a sociedade sobre suas demandas, tornando essencial que o tema seja priorizado nos espaços governamentais e na sociedade. Ele também informou que o tema será pautado pelo Brasil na próxima reunião dos ministros do Mercosul, já que o país ocupa a presidência do bloco sul-americano neste semestre.

Outro ponto abordado foi a importância de reorganizar as tecnologias assistenciais para criar espaços seguros de escuta e promover o acesso à saúde aos adolescentes. No Brasil, destacou a caderneta digital do adolescente e a incorporação do implante contraceptivo Implanon pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em um projeto piloto, o Implanon foi identificado como a melhor tecnologia para a população adolescente. O ministério está trabalhando para garantir o acesso mais amplo possível, inclusive permitindo que enfermeiros realizem o procedimento na atenção primária. O ministro defende a criação de programas para a América Latina, com transferência de tecnologia e assistência técnica, para garantir uma oferta sustentável e acessível aos programas de saúde de todos os países, a exemplo da cooperação em vacinação.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br