Na Praça Memorial Vladimir Herzog, localizada no coração de São Paulo, um novo espaço celebra a luta pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil. O Calçadão da Resistência, iniciativa do Coletivo Cultural Associação de Amigos da Praça Memorial Vladimir Herzog, foi inaugurado com o objetivo de homenagear jornalistas e outras personalidades que se destacaram na defesa desses valores.
O calçadão é composto por tijolos intertravados, cada um gravado com o nome de um homenageado que recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A cerimônia inaugural marcou a instalação dos primeiros 51 tijolos, dedicados a personalidades que venceram o prêmio na categoria especial.
Entre os homenageados, encontram-se nomes como Tim Lopes, Sueli Carneiro, Mino Carta, Caco Barcellos, Luiz Gama, Dom Paulo Evaristo Arns, Perseu Abramo, Dom Phillips, Rubens Paiva e Ziraldo. Também foram homenageados os trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que receberam o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Contribuição ao Jornalismo em 2022, pelo trabalho de resistência na defesa da comunicação pública.
Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog e presidente do Conselho Consultivo do Instituto Vladimir Herzog, destacou a importância do prêmio de jornalismo Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que premia jornalistas que denunciam violações de direitos humanos e agressões contra cidadãos e a sociedade. Ao todo, 1.625 nomes serão gravados nos tijolos do calçadão.
Sérgio Gomes, diretor da Oboré Projetos Especiais em Comunicações e Artes, comparou o calçadão a um monumento em homenagem aos grandes jornalistas. Ele enfatizou que os homenageados terão um espaço que mostra onde está o melhor do jornalismo.
O primeiro tijolo instalado no Calçadão da Resistência homenageia o jornalista Mouzar Benedito, vencedor da primeira edição do prêmio na antiga categoria Jornal. Benedito relembrou os tempos em que militava contra a ditadura militar através de jornais alternativos.
Em 2022, os trabalhadores da EBC foram contemplados com o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Contribuição ao Jornalismo, em reconhecimento à resistência à censura e à perseguição durante o governo de Jair Bolsonaro.
André Basbaum, presidente da EBC, destacou a importância do reconhecimento aos trabalhadores da empresa, em um espaço simbólico e de memória. Ele ressaltou o compromisso dos funcionários com a democracia, o serviço público, a comunicação pública, o jornalismo profissional e a qualidade da informação.
A Praça Memorial Vladimir Herzog, inaugurada em 2013, relembra o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura nas dependências do Doi-Codi durante a ditadura militar.
Ivo Herzog enfatizou que o jornalismo é um importante instrumento para a democracia, fiscalizando os poderes e comunicando à sociedade as ações do governo.
Sérgio Gomes ressaltou que sem o jornalismo profissional, não há democracia, pois é o jornalista que verifica o que é importante para que as pessoas tenham um quadro de referência.
André Basbaum enfatizou que a democracia deve ser um exercício diário, que envolve ouvir o outro, respeitar os direitos, lutar por direitos, entender que o bem coletivo é maior do que o interesse individual e que existem regras que precisam ser respeitadas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
