G1
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O mundo tem testemunhado uma onda crescente de protestos liderados pela geração Z, jovens nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010. As manifestações, impulsionadas por um sentimento de descontentamento e pessimismo, ganharam força em diversos países, incluindo Nepal e Madagascar, onde resultaram na queda de governos. No Peru, a intensidade da violência levou o presidente a declarar estado de emergência. Indonésia, Filipinas e Marrocos também foram palcos de demonstrações expressivas.

Apesar da diversidade de contextos e demandas específicas, esses movimentos compartilham características comuns que transcendem fronteiras. A insatisfação com as elites políticas e econômicas é um denominador comum, alimentando um “pessimismo palpável” que motiva a mobilização.

A conectividade digital desempenha um papel crucial na disseminação e organização desses protestos. Jovens em diferentes partes do mundo compartilham uma percepção de que as elites políticas estão alheias aos problemas cotidianos da população. A desconfiança nas instituições, somada à insatisfação com serviços públicos precários e à incapacidade do Estado de atender às necessidades da nova geração, contribui para o cenário de instabilidade.

A desigualdade econômica emerge como uma fonte central de mal-estar, gerando uma sensação de falta de perspectivas e a percepção de que o esforço individual não garante mais a ascensão social. A crescente incerteza econômica, exacerbada pela instabilidade geopolítica, agrava o sentimento de insegurança em relação ao futuro do trabalho, especialmente diante do impacto das novas tecnologias.

Um símbolo peculiar une muitos desses manifestantes: a bandeira do mangá japonês “One Piece”. A saga, que narra a história de piratas lutando contra uma oligarquia corrupta, ressoa com os ideais de resistência e insurreição que inspiram os jovens. A bandeira, vista como um símbolo de oposição a um poder autoritário, tornou-se um emblema global de resistência e esperança em um futuro melhor.

Embora as manifestações representem um anseio por mudança, é importante considerar os possíveis impactos negativos. A derrubada de um governo pode gerar um vácuo político, abrindo espaço para a atuação das Forças Armadas. O risco de repressão aumenta em cenários de instabilidade política.

O Chile emerge como um exemplo de país que conseguiu lidar com a instabilidade, promovendo a participação cívica e abrindo caminho para uma nova geração de líderes. A ascensão do atual presidente, Gabriel Boric, demonstra o potencial das manifestações para impulsionar mudanças significativas, apesar dos desafios enfrentados nas tentativas de reescrever a Constituição. O país sul-americano também apresenta jovens candidatos de direita, promovendo debates políticos organizados.

Fonte: g1.globo.com