G1
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Após uma intensa onda de violência que assolou a cidade do Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro anunciou que solicitará ao governo federal a transferência imediata de dez líderes criminosos para presídios federais. A decisão foi tomada após um relatório das polícias Civil e Penal apontar que esses indivíduos, mesmo detidos, estariam coordenando os atos de violência de dentro das cadeias.

“Recebi agora das polícias Civil e Penal um relatório das 10 maiores lideranças que estão de dentro das nossas cadeias ajudando a provocar todo esse terror. Tomei a decisão […] de pedir ao governo federal 10 vagas para transferência imediata desses 10 criminosos de maior periculosidade”, declarou Castro.

O governador também enfatizou que as forças policiais permanecem nas ruas, trabalhando para garantir que a população possa retornar às suas casas em segurança.

Na mesma terça-feira, Castro lamentou a falta de apoio federal em operações anteriores, mencionando que o estado se sentiu “sozinho” durante a ação nos complexos do Alemão e da Penha. Ele alegou que pedidos de auxílio, como o empréstimo de veículos blindados, foram negados sob diferentes justificativas.

Castro classificou a operação como “de defesa” e cobrou maior integração com as forças federais, argumentando que a situação “já era para estar tendo um trabalho de integração muito maior com as Forças Federais, o que nesse momento não está acontecendo”.

Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que mantém atuação contínua no Rio de Janeiro desde outubro de 2023, através da Operação Nacional de Segurança Pública, com validade até dezembro de 2025. A pasta também afirmou ter atendido prontamente aos pedidos do governo estadual para o emprego da Força Nacional e destacou as 178 operações realizadas pela Polícia Federal no Rio este ano, incluindo 24 voltadas ao combate ao tráfico de drogas e armas.

Ainda de acordo com o ministério, a Polícia Rodoviária Federal tem intensificado ações contra roubos de cargas e veículos nas rodovias federais. O estado do Rio tem recebido recursos federais para investimentos no sistema penitenciário e na segurança pública, além de doações de equipamentos.

Castro descreveu a operação deflagrada na terça-feira como “a maior da história do Rio de Janeiro”, afirmando que o estado está atuando sem o auxílio de blindados ou agentes das forças federais de segurança e defesa. Ele negou que suas cobranças sejam motivadas por questões políticas, insistindo que se trata de um pedido de ajuda.

O governador garantiu que a ação policial observou as regras da ADPF 635, que estabelece diretrizes para operações em comunidades, e que o Ministério Público acompanha o desenvolvimento dos trabalhos. Segundo ele, os confrontos se concentraram principalmente em áreas de mata, visando minimizar os impactos sobre a população.

A operação em questão faz parte da Operação Contenção, uma iniciativa contínua do governo estadual para combater o avanço de facções criminosas em territórios fluminenses. Desta vez, as equipes se concentraram nos complexos do Alemão e da Penha, onde, de acordo com investigações, se refugiam líderes de facções criminosas do Rio de Janeiro e de outros estados.

Fonte: g1.globo.com