Padre Júlio Lancelotti, figura proeminente na defesa de pessoas em vulnerabilidade social, manifestou críticas contundentes à política de internação compulsória de indivíduos em situação de rua, implementada por um decreto do prefeito de Sorocaba (SP). A declaração foi feita durante sua visita à cidade na quinta-feira, dia 6.
Lancelotti questionou a efetividade da medida e desafiou o governo municipal a apresentar dados concretos sobre os resultados alcançados. Ele enfatizou que a desigualdade social persiste em todo o país, argumentando que todas as cidades estão sujeitas ao mesmo sistema socioeconômico e político.
Em relação às internações compulsórias, consideradas por ele como ilegais em certas circunstâncias, o padre levantou uma série de questões para as autoridades. “Quantos foram internados compulsoriamente? Por quanto tempo? Qual o impacto dessa internação? Após a internação, deixam de ser moradores de rua e usuários? O que realmente aconteceu?”, indagou. Lancelotti defende que o executivo local e as universidades da região devem responder a essas perguntas.
O religioso reiterou os questionamentos, exigindo resultados concretos da política implementada. “Quantos foram internados compulsoriamente? Onde estão? O que está acontecendo com eles? Suas vidas melhoraram? Ou essa é apenas uma manobra política para discussão sem resultados práticos?”. Para ele, faltam evidências e competência na execução da medida, sendo crucial avaliar se o tratamento é realmente eficaz.
Lancelotti também questionou o destino dos indivíduos após a internação. “Onde está a pessoa que foi internada? Está na universidade? Já está trabalhando? Conseguiu moradia? Tem um salário suficiente para sobreviver? Precisamos dessas respostas para avaliar se a política está atingindo os objetivos esperados”, afirmou.
Questionado sobre as diferenças entre o tratamento oferecido às pessoas em situação de rua na capital e no interior, Lancelotti foi enfático. “A desigualdade é a mesma, pois todas as cidades estão sujeitas ao mesmo regime socioeconômico e político”, disse. Segundo ele, cidades fora das capitais tendem a tentar eliminar os mais pobres, os diferentes e os marginalizados.
O religioso criticou as campanhas contra a doação de esmolas, comuns em cidades do sudeste. Para Lancelotti, placas com a mensagem “não dê esmola” deveriam ser colocadas em frente às prefeituras. “Os orçamentos sociais é que são a verdadeira esmola. O orçamento da saúde, da educação, da moradia, aí é que está a esmola”, declarou.
Durante sua visita, Júlio Lancelotti recebeu o título de cidadão sorocabano, uma homenagem concedida pelo vereador Izídio de Brito. O evento ocorreu na Câmara de Sorocaba. “Reconhecer o Padre Júlio é celebrar aqueles que lutam contra a fome e pela dignidade humana. Vivemos em uma cidade onde mais de 70 mil famílias lutam para se alimentar. O trabalho do Padre Júlio é um exemplo de compromisso com o Evangelho e com o povo e inspira ações de solidariedade”, afirmou o vereador.
Fonte: g1.globo.com
