Honduras se prepara para uma eleição presidencial decisiva neste domingo (30), em um cenário de triplo empate entre candidatos da direita e da esquerda, de acordo com as principais pesquisas de intenção de voto. O pleito ocorre em meio a acusações de corrupção e debates sobre narcotráfico e a influência de Donald Trump, questões que permeiam a América Latina.
A eleição deste domingo definirá o sucessor da atual presidente, Xiomara Castro, que em 2021 levou a esquerda de volta ao poder após 12 anos de governos conservadores.
Três candidatos disputam a preferência do eleitorado: Rixi Moncada, do partido governista, Nasry Asfura, do Partido Nacional, e Salvador Nasralla, do Partido Liberal.
Moncada é vista como a continuadora do projeto esquerdista de Castro e de seu marido, o ex-presidente Manuel Zelaya. Com um currículo extenso como professora, advogada, juíza e ministra, ela enfrenta acusações de corrupção e nepotismo.
Asfura, que concorre pela segunda vez à presidência, recebeu o apoio formal de Donald Trump. O conservador já foi prefeito de Tegucigalpa e também enfrenta acusações de desvio de fundos, além de ter seu nome envolvido no “Pandora Papers”.
Nasralla, apresentador de televisão e narrador de futebol, disputa a presidência pela quarta vez. Admirador de Javier Milei e Nayib Bukele, ele promete copiar suas políticas na Argentina e em El Salvador.
Durante a campanha, os candidatos evitaram apresentar propostas detalhadas, concentrando-se em acusações de corrupção e manipulação eleitoral. Moncada fala em “democratizar” a economia, enquanto Nasralla foca no combate à corrupção e Asfura se apresenta como um construtor pragmático.
Uma pesquisa do Instituto Gallup indicou um empate técnico entre os candidatos, com Nasralla liderando com 27% das intenções de voto, seguido por Moncada com 26% e Asfura com 24%. Uma parcela significativa de 18% dos eleitores permanecia indecisa.
Além da disputa entre os candidatos, o temor de fraude e anulação da eleição tem preocupado os eleitores. Irregularidades relatadas no sistema de resultados preliminares levantaram questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral.
A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação com ações e declarações que geram incerteza e desestabilizam o processo eleitoral.
A preocupação com uma possível interferência das Forças Armadas também é presente, especialmente após a solicitação de acesso às atas eleitorais, o que gerou temores de uma intromissão a favor do Partido Libre em caso de alegações de fraude.
Apesar da recente redução na taxa de homicídios, Honduras ainda enfrenta o desafio da violência, que se tornou um dos pilares da campanha eleitoral. A influência de Donald Trump também é um fator importante, com os candidatos buscando agradar o ex-presidente americano de acordo com suas ideologias.
Diante desse cenário complexo, a eleição deste domingo definirá o futuro político de Honduras, com a possibilidade de consolidar a esquerda no poder ou recolocar a direita no governo.
Fonte: g1.globo.com
