A Fundação Casa de Jorge Amado, um dos mais importantes centros culturais da Bahia, celebra seus 38 anos de fundação com a inauguração de dois novos e significativos espaços expositivos. Localizados no coração do Largo do Pelourinho, em Salvador, os ambientes são dedicados a duas figuras femininas de imensa relevância para a cultura brasileira: a ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi e a escritora, fotógrafa e memorialista Zélia Gattai. Esta expansão representa um marco na missão da Casa de Jorge Amado de preservar e disseminar a memória cultural, oferecendo ao público uma imersão aprofundada nas vidas e obras dessas mulheres que, cada uma a seu modo, moldaram parte fundamental do nosso patrimônio intelectual e espiritual. A iniciativa integra a visão de ampliar a experiência do visitante nos casarões históricos que compõem a fundação.
Uma celebração de legados e memória
A inauguração dos novos espaços na Fundação Casa de Jorge Amado não é apenas uma expansão física, mas um enriquecimento profundo do acervo cultural da instituição. Ao completar 38 anos de existência, a fundação reafirma seu papel vital na preservação da memória de Jorge Amado e, agora, estende essa homenagem a duas figuras cruciais que estiveram em sua órbita de influência e afeto, ou que representam valores tão caros ao universo amadiano. Os casarões 47, 49 e 51, que compõem o complexo da fundação, são agora mais interligados, oferecendo uma jornada contínua pela rica tapeçaria cultural que Salvador tem a oferecer. A curadoria cuidadosa visa proporcionar uma experiência detalhada e emocionante, revelando aspectos íntimos e públicos das homenageadas.
O legado atemporal de Mãe Stella de Oxóssi em exposição
Um dos espaços recém-inaugurados é a Casa Exu 47, um ambiente permanente que não só reverencia o orixá Exu, protetor escolhido por Jorge Amado para a fundação, mas também abriga uma exposição dedicada à ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi. A mostra é um mergulho na trajetória dessa líder candomblecista que deixou um legado inestimável para a Bahia e para o Brasil. Falecida em 2018, Mãe Stella, que completaria 100 anos em 2025, foi uma figura central na preservação e difusão da cultura afro-brasileira. Itens pessoais, registros históricos e narrativas detalhadas contam a história de sua vida, desde sua liderança à frente do Ilê Axé Opô Afonjá até sua vasta produção literária.
Como uma profunda disseminadora do Candomblé, Mãe Stella de Oxóssi utilizou sua escrita para abordar temas cruciais como a intolerância religiosa, o racismo e a importância da ancestralidade. Seus livros transcenderam os limites do terreiro, alcançando públicos diversos e promovendo o diálogo e a compreensão. Sua estatura intelectual foi reconhecida com a ocupação de uma cadeira na Academia de Letras da Bahia e a concessão de títulos de Doutor Honoris Causa por universidades de prestígio, como a Federal da Bahia (UFBA) e a Estadual da Bahia (UNEB). A exposição da Casa Exu 47, portanto, é um tributo à sua sabedoria, à sua resiliência e à sua incansável luta por um país mais justo e respeitoso das suas raízes africanas, em perfeita sintonia com a visão de mundo que Jorge Amado tanto defendeu em suas obras. O espaço convida à reflexão sobre a fé, a cultura e a resistência.
O universo de Zélia Gattai em destaque
Paralelamente à homenagem a Mãe Stella, outro espaço foi cuidadosamente preparado para reverenciar Zélia Gattai, a companheira de vida e cúmplice intelectual de Jorge Amado. A sala dedicada a Zélia é uma janela para seu multifacetado universo, apresentando uma rica coleção de fotos, manuscritos e objetos pessoais que narram sua jornada como escritora, memorialista e fotógrafa. A exposição destaca sua profunda conexão com a cultura e a política brasileiras, capturadas não apenas em suas palavras, mas também em seu olhar através das lentes. Os visitantes terão a oportunidade de conhecer de perto a sensibilidade e o talento de Zélia, que foi muito além de ser apenas a sombra de um grande escritor.
A vida e a obra da companheira de Jorge Amado
A exposição de Zélia Gattai oferece uma visão abrangente de sua produção literária, que inclui cerca de 14 obras, entre livros infantis, memórias e um romance. Sua estreia, o aclamado “Anarquistas, Graças a Deus”, é um dos pontos altos, revelando seu talento para a narrativa e sua capacidade de transformar experiências pessoais em literatura universal. Além de sua escrita, o visitante poderá explorar parte de seu vasto arquivo fotográfico, estimado em 21 mil negativos. Este acervo é um tesouro histórico, pois registra cerca de 50 anos de história cultural e política do Brasil, eternizando personalidades e eventos que marcaram uma época. As imagens capturadas por Zélia são um testemunho visual de encontros, viagens e momentos decisivos que formam um panorama riquíssimo da segunda metade do século XX no país.
Zélia Gattai não foi apenas a cuidadora do legado de Jorge Amado, mas uma intelectual e artista por direito próprio. Sua relevância foi formalmente reconhecida em 2002, quando ocupou a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, a mesma vaga que seu companheiro havia preenchido. Essa coincidência simboliza a profunda sintonia e o respeito mútuo que permeavam a vida do casal, onde cada um, à sua maneira, contribuiu imensamente para a cultura nacional. A exposição é um convite a descobrir a mulher por trás da figura pública, a fotógrafa com seu olhar aguçado e a escritora com sua prosa envolvente, consolidando seu lugar de destaque no panteão da literatura e da arte brasileiras.
Legados que inspiram e permanecem
A inauguração desses dois novos espaços na Fundação Casa de Jorge Amado é um evento de grande significado cultural para Salvador e para o Brasil. Ao honrar Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai, a fundação não apenas amplia seu acervo, mas também reitera seu compromisso com a valorização das múltiplas facetas da identidade brasileira. As exposições são um convite à reflexão sobre a diversidade cultural, a importância da memória e a força dos legados femininos na construção de nossa nação. Representam um elo entre o passado e o presente, inspirando novas gerações a conhecer e a se orgulhar de suas raízes e de seus heróis.
Perguntas frequentes
Qual o horário de funcionamento da Fundação Casa de Jorge Amado?
A Fundação Casa de Jorge Amado funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h.
Há dias com entrada gratuita na fundação?
Sim, nas quartas-feiras a entrada para a Fundação Casa de Jorge Amado é gratuita, oferecendo acesso facilitado ao público.
Quais personalidades são homenageadas nos novos espaços expositivos?
Os dois novos espaços são dedicados à ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi e à escritora, fotógrafa e memorialista Zélia Gattai.
Onde está localizada a Fundação Casa de Jorge Amado?
A fundação está localizada no Largo do Pelourinho, em Salvador, Bahia, integrada pelos casarões 47, 49 e 51.
O que se pode esperar da exposição de Mãe Stella de Oxóssi?
A exposição de Mãe Stella de Oxóssi, na Casa Exu 47, conta sua história de vida e legado como líder candomblecista e escritora, com itens pessoais e documentos que abordam sua contribuição à cultura afro-brasileira e à luta contra a intolerância.
Que tipo de conteúdo a exposição de Zélia Gattai apresenta?
A sala de Zélia Gattai exibe fotos, manuscritos, objetos pessoais e sua produção literária. Destaca-se também parte de seu arquivo fotográfico, com cerca de 21 mil negativos que registram décadas de história cultural e política.
Não perca a oportunidade de explorar esses novos universos de cultura e história. Visite a Fundação Casa de Jorge Amado no Largo do Pelourinho e mergulhe nos legados de Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai.
