© Ralf Vetterle/Pixabay
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Há uma década, o mundo se unia em um esforço sem precedentes para enfrentar a crise climática. O Acordo de Paris, principal tratado internacional adotado na COP21 em 2015, celebra seu décimo aniversário nesta sexta-feira, 12 de dezembro. Considerado um marco histórico na cooperação global, o pacto estabeleceu um compromisso vinculativo para conter o avanço do aquecimento global. No entanto, mesmo com os avanços obtidos, a Organização das Nações Unidas (ONU) soa um alarme contundente: o planeta ainda está perigosamente distante de cumprir a meta crucial de limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius. Este limiar é vital para evitar impactos climáticos severos e potencialmente irreversíveis, pressionando os países a reforçarem suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e acelerarem a transição para economias de baixo carbono.

Uma década de esforços e a persistente lacuna climática

O Acordo de Paris, adotado por 195 Estados Partes e em vigor desde 2016, estabeleceu pela primeira vez um compromisso global e vinculativo para conter o avanço da crise climática. Seu mecanismo funciona em ciclos de cinco anos, nos quais cada nação apresenta ou atualiza seus planos climáticos, detalhando estratégias de redução de emissões, adaptação e diretrizes de longo prazo para uma economia neutra em carbono. Apesar do reconhecimento da sua importância, o caminho para o cumprimento das metas ainda apresenta desafios significativos.

Os progressos inegáveis e a mudança de rota

Desde a sua concepção, o Acordo de Paris tem sido um instrumento decisivo para “destravar” a ação climática global. Conforme o secretário-geral da ONU, António Guterres, os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados, com o mundo testemunhando tragédias humanas e destruição ecológica crescentes. Contudo, Guterres enfatiza que, graças ao tratado, a humanidade não está mais rumo a um aquecimento superior a 4°C, um cenário insustentável que era previsto antes de 2015. A trajetória global, embora ainda preocupante, está agora mais próxima de 2,5°C. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, corroborou essa visão, afirmando que o pacto possibilitou uma nova dinâmica ao combate à mudança do clima, tirando a ação climática de um estado de estagnação. A união demonstrada na COP30, com o reconhecimento unânime da importância de limitar o aquecimento global, oferece esperança de que ações sérias podem controlar e reduzir o aumento das temperaturas.

A urgência de 1,5°C e o alerta dos especialistas

Apesar dos avanços em evitar o pior dos cenários, a meta de 1,5°C permanece um objetivo distante e sob crescente ceticismo. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é claro: as emissões globais precisam cair 43% até 2030 para que esse objetivo permaneça ao alcance da humanidade. Christiana Figueres, ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) durante a criação do Acordo de Paris, expressa um pessimismo quanto ao alcance das metas originais. Para ela, já é tarde demais para “resolver” a mudança climática, mas não para evitar seus piores impactos. A chave, segundo Figueres, é acelerar o ritmo da implementação responsável da redução de emissões e da regeneração dos ecossistemas naturais. A visão de Guterres ecoa essa urgência, defendendo que a ação climática precisa ser “além e mais rápida”, exigindo um “plano de aceleração” que preencha as lacunas entre ambição, adaptação e financiamento.

Mecanismos e pilares para a ação climática global

Para garantir que a ambição global se materialize em ações concretas, o Acordo de Paris estabeleceu mecanismos robustos e pilares fundamentais de cooperação. Estes elementos são projetados para orientar as nações, monitorar o progresso e garantir que os esforços sejam equitativos e eficazes.

O papel das NDCs e a transparência reforçada

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) são o cerne da arquitetura do Acordo de Paris. Elas não são meros planos de intenção, mas documentos que detalham as metas de cada país para reduzir emissões, implementar estratégias de adaptação às mudanças climáticas e traçar diretrizes de longo prazo para guiar suas economias rumo à neutralidade de carbono. A cada cinco anos, os países devem apresentar ou atualizar suas NDCs, buscando um nível de ambição crescente. Para acompanhar o progresso e garantir a responsabilização, o tratado prevê o Quadro de Transparência Reforçado. Este mecanismo, em vigor desde 2024, obriga todas as partes a reportarem suas ações, avanços e os apoios prestados e recebidos. Os dados coletados alimentam o balanço global (Global Stocktake), um instrumento crucial que avalia o progresso coletivo em direção às metas de longo prazo do acordo, identificando lacunas e orientando futuras decisões.

Cooperação internacional e financiamento climático

A cooperação internacional é um pilar central do Acordo de Paris, especialmente para apoiar os países em desenvolvimento, que são frequentemente os mais vulneráveis aos impactos climáticos, apesar de terem historicamente contribuído com uma parcela menor das emissões acumuladas. O tratado reconhece a responsabilidade dos países desenvolvidos em liderar o financiamento climático, promovendo a transferência de tecnologia e a capacitação. Esta é uma questão crítica, pois muitos países em desenvolvimento carecem dos recursos e da infraestrutura necessários para implementar as medidas climáticas ambiciosas exigidas. A necessidade de um “plano de aceleração” mencionado pelo secretário-geral da ONU enfatiza a urgência de preencher a lacuna não apenas na ambição e na adaptação, mas também no financiamento, garantindo que o suporte necessário chegue onde é mais preciso para uma transição global justa e eficaz.

Conclusão

Uma década após sua adoção, o Acordo de Paris emerge como um pacto de sucesso incontestável na prevenção de cenários catastróficos, desviando a trajetória global de um aquecimento de 4°C para algo mais próximo de 2,5°C. Essa conquista, por si só, demonstra a força da cooperação multilateral e o potencial de ação unificada diante de uma crise global. No entanto, a celebração do aniversário é ofuscada por um alerta urgente: a meta de 1,5°C, vital para evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas, permanece em risco. A lacuna entre a ambição atual e a ação necessária é vasta, exigindo que os países intensifiquem suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), acelerem a transição para economias de baixo carbono e fortaleçam o financiamento e a cooperação internacional. A próxima década será decisiva para transformar os compromissos em resultados tangíveis, garantindo um futuro sustentável para as próximas gerações.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o Acordo de Paris e qual sua principal meta?
O Acordo de Paris é o principal tratado internacional para enfrentar a crise climática, adotado em 2015. Sua principal meta é limitar o aumento da temperatura média global a bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, buscando esforços para limitar o aumento a 1,5°C.

Por que a meta de 1,5°C é tão importante?
A meta de 1,5°C é considerada um ponto crítico pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ultrapassá-la pode levar a impactos climáticos severos e potencialmente irreversíveis, como ondas de calor mais intensas, aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos.

Quais são as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs)?
As NDCs são os planos climáticos apresentados por cada país signatário do Acordo de Paris. Elas detalham as metas de redução de emissões, estratégias de adaptação e diretrizes de longo prazo para orientar as economias rumo à neutralidade de carbono, sendo atualizadas a cada cinco anos.

O Acordo de Paris está funcionando?
De acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o Acordo de Paris está funcionando, pois desviou a trajetória de aquecimento global de 4°C para cerca de 2,5°C. Contudo, a ação climática precisa ser mais rápida e ambiciosa para atingir a meta de 1,5°C, ainda distante.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br