O recente surto do vírus Nipah na Índia e em Bangladesh trouxe atenção para a raposa-voadora, uma criatura imponente e fascinante que é o reservatório natural do vírus. Diferentemente dos morcegos brasileiros, esses gigantes dos ares possuem uma biologia única, separados por milhões de anos de evolução.
O gigante de 'cara de cão'
A raposa-voadora, pertencente ao gênero Pteropus, não depende da escuridão total para se guiar, ao contrário dos morcegos brasileiros. Com olhos grandes e comportamento crepuscular, esses morcegos são os maiores do mundo, podendo ultrapassar 1,80 metro de envergadura. Sua dieta pacífica é baseada em frutos, néctar e pólen.
O Brasil corre risco?
Não há chance dos morcegos infectados voarem da Ásia para o Brasil, devido às barreiras geográficas e evolutivas. A exclusividade desses morcegos no Sudeste da Ásia, Oceania, Madagascar e algumas regiões da África os impede de chegar às Américas. Mesmo se um turista infectado desembarcasse no Brasil, a transmissão para os morcegos locais é considerada remota.
E se um humano trouxer o vírus?
A transmissão do vírus Nipah de humano para morcego silvestre é considerada muito remota, pois exige cenários complexos. Não há evidências de que o Nipah consiga infectar as espécies nativas do Brasil. A vigilância sanitária prioriza a transmissão humano-a-humano, não o controle de fauna.
O segredo da imunidade: vivendo com 'febre eterna'
As raposas-voadoras carregam vírus potentes sem adoecer devido ao seu metabolismo acelerado, que eleva a temperatura corporal. Esse ambiente favorece a seleção de vírus resistentes à temperatura, enquanto seu sistema imunológico 'de elite' suprime inflamações, possui alta concentração de interferons e permite rápida recuperação.
Fonte: https://g1.globo.com
