Em 2025, milhares de passageiros deixaram de utilizar os ônibus na cidade de São Paulo, interrompendo uma recuperação gradual nos números do transporte público que vinha desde o fim da pandemia. Dados da SPTrans mostram que entre janeiro e novembro do ano passado, foram registrados cerca de 7,05 milhões de passageiros, em comparação com 7,13 milhões no mesmo período de 2024.
Cenário Atual
Antes da pandemia, o sistema de ônibus da capital transportava cerca de 9 milhões de passageiros. Após a queda brusca em 2020, houve uma recuperação gradual nos anos seguintes. No entanto, entre 2024 e 2025, o movimento nas catracas voltou a cair, indicando uma tendência preocupante.
Para muitos usuários, a demora e os longos intervalos entre viagens são fatores que contribuem para a desistência do transporte coletivo, como aponta o ajudante de cozinha Orlando Barros. A migração de parte dos passageiros para o transporte individual, especialmente motos, tem impactos diretos na cidade, como aumento de acidentes e congestionamentos.
Impactos Financeiros
Com menos passageiros pagando passagem, o sistema de ônibus de São Paulo enfrenta desafios financeiros. O subsídio, que cobre parte do custo operacional, é fundamental para manter a sustentabilidade. No entanto, a proporção do subsídio em relação ao custo total diminuiu em 2025, o que levou ao aumento da tarifa para compensar a ausência de usuários.
Desafios e Soluções
Especialistas apontam a necessidade de tornar o sistema de transporte público mais atrativo para a população. Questões como frequência, disponibilidade, intervalos entre ônibus e preço acessível são fundamentais para incentivar o uso dos ônibus. A falta de cumprimento das viagens programadas por parte das linhas de ônibus também contribui para a insatisfação dos passageiros.
Para Marcus Quintella, professor da FGV Transportes, é essencial melhorar a velocidade média dos ônibus e reduzir as tarifas para competir com os aplicativos de transporte. A combinação de menos viagens, intervalos longos e tarifas altas afasta ainda mais os passageiros, criando um ciclo que desafia a sustentabilidade do transporte coletivo em São Paulo.
Fonte: https://g1.globo.com
