© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Em uma metrópole dinâmica como o Rio de Janeiro, poucos marcos culturais ostentam um século de existência, resistindo às transformações urbanas e às mudanças nos hábitos de consumo de entretenimento. O Cine Odeon, um dos mais icônicos cinemas de rua da cidade, celebra seu centenário reafirmando sua posição não apenas como uma joia arquitetônica, mas como um bastião da experiência cinematográfica coletiva e um fervoroso defensor da produção audiovisual nacional. Localizado em um epicentro cultural, ao lado de instituições como o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional, o Odeon transcende a função de uma simples sala de projeção, confundindo sua trajetória com a própria história cultural carioca.

Um Século de História e Adaptação Cultural

Desde sua inauguração em 1924, na efervescente Belle Époque carioca, o Cine Odeon testemunhou as mais diversas fases do Rio de Janeiro e do cinema mundial. Passou por épocas de glória, desafios e renovações, sempre mantendo viva a chama da exibição em grandes salas, um contraponto marcante à proliferação dos complexos de cinema em shopping centers. Atualmente sob a gestão do grupo Kinoplex, pertencente à tradicional família Severiano Ribeiro, o Odeon soube se reinventar sem perder sua essência, tornando-se um símbolo de resiliência e tradição na paisagem urbana e cultural da cidade.

O Guardião do Cinema Nacional

Uma das marcas mais distintivas do Cine Odeon é sua inabalável dedicação ao cinema brasileiro. Em um cenário onde o espaço para filmes nacionais muitas vezes é disputado, a sala se orgulha de sempre priorizar e exibir a produção local, como salientado por Luiz Severiano Ribeiro Neto, que enfatiza a 'união indissolúvel' entre o cinema e a produção do país. Essa vocação se consolidou, especialmente, após a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, quando o Odeon passou por importantes reformas e se estabeleceu como sede primordial para eventos de grande porte, como o Festival do Rio, além de inúmeras pré-estreias e mostras que enaltecem a diversidade e a riqueza da sétima arte feita no Brasil.

Celebração Centenária e a Nova Geração do Cinema

A comemoração do centenário do Odeon não foi apenas uma retrospectiva, mas também um olhar para o futuro, marcada pela pré-estreia do filme 'Rio de Sangue'. O evento reuniu figuras importantes do cenário cinematográfico, incluindo o diretor Gustavo Bonafá e a atriz Alice Wegmann, que compartilharam suas experiências e a relevância do Odeon para a arte nacional. A iniciativa destacou o papel do cinema de rua como um espaço vital para a conexão entre artistas, suas obras e o público.

“Rio de Sangue”: Arte e Consciência Social

Gustavo Bonafá, diretor de 'Rio de Sangue', sublinhou a importância do Odeon como um 'parceiro nessa luta' para garantir espaço ao cinema nacional. Ele descreveu seu filme como uma obra de ação que, além de explorar o amor entre mãe e filha, aborda a complexa e séria questão do garimpo ilegal na Amazônia. O diretor destacou o desafio de tratar um tema tão delicado com a devida profundidade e conhecimento, utilizando a narrativa cinematográfica tanto como entretenimento quanto como ferramenta de denúncia e reflexão social.

Conexão Afetiva com o Público e o Futuro do Odeon

A atriz Alice Wegmann expressou sua emoção ao exibir 'Rio de Sangue' no Odeon, resgatando memórias de infância e adolescência vividas na sala, assistindo a filmes brasileiros e participando do Festival do Rio. Para celebrar este marco histórico e reafirmar a conexão do público com a experiência do cinema de rua, o Kinoplex lançou uma campanha especial, oferecendo ingressos por um valor simbólico, convidando a comunidade a redescobrir o charme e a magia que só um cinema como o Odeon pode proporcionar. Esta ação não apenas celebra o passado, mas projeta o Odeon para continuar sendo um ponto de encontro para os amantes da sétima arte nas próximas décadas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br