© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) expressa preocupação com o ressurgimento do sarampo nas Américas, um desafio que exige ação imediata e estratégica. Jarbas Barbosa, diretor da Opas, destacou que a principal barreira para conter a doença não reside na falta de vacinas, mas sim na dificuldade em alcançar e imunizar indivíduos que ainda não foram protegidos.

Compreendendo o Retorno do Sarampo

A percepção de baixo risco da doença, a carência de informações precisas e as barreiras de acesso à vacinação são fatores que contribuem para a retomada do sarampo. Quando a cobertura vacinal diminui, o vírus, conhecido por sua alta infectividade, encontra terreno fértil para se disseminar. As Américas já enfrentaram e superaram esse desafio no passado, mas a perda do status de erradicação em 2018 e as oscilações subsequentes evidenciam a fragilidade do progresso alcançado.

O Cenário Atual nas Américas

Dados recentes da Opas revelam um aumento alarmante de casos confirmados de sarampo em diversos países do continente. Em 2025, foram registrados mais de 14.700 casos, um salto significativo em relação ao ano anterior. Em 2026, os números continuam preocupantes, com o México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentrando a maioria das ocorrências. Infelizmente, o sarampo também tem ceifado vidas, com dezenas de óbitos registrados, afetando de forma desproporcional as populações mais vulneráveis e com acesso restrito a serviços de saúde.

A Meta de 95% de Cobertura Vacinal

A Opas reforça que um único caso de sarampo tem o potencial de desencadear um surto se a cobertura vacinal com as duas doses recomendadas não atingir ou ultrapassar 95%. A vacinação contra o sarampo tem um histórico comprovado de sucesso, prevenindo milhões de mortes ao longo das últimas décadas. A mensagem da organização é clara: “Já eliminamos o sarampo e podemos fazer de novo”. No entanto, isso requer um compromisso político contínuo, investimentos robustos em saúde pública e um esforço conjunto para restaurar a confiança nas vacinas e combater ativamente a desinformação.

O Brasil e a Luta Contra o Sarampo

Apesar do contexto regional desafiador, o Brasil mantém seu status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. Contudo, é fundamental permanecer vigilante. O país tem registrado casos suspeitos e confirmados, muitos deles associados à importação ou com fontes de infecção ainda sob investigação. É crucial destacar que os casos recentes ocorreram em indivíduos não vacinados, reforçando a importância da imunização como ferramenta de proteção individual e coletiva.

Sarampo: Uma Doença Altamente Contagiosa

O sarampo é uma doença viral aguda, altamente contagiosa e com potencial para complicações graves. A transmissão ocorre facilmente pelo ar, através de gotículas respiratórias liberadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Ambientes com grande aglomeração de pessoas facilitam sua rápida disseminação.

Sintomas e Complicações

Os sintomas iniciais incluem febre, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite. Posteriormente, surgem manchas vermelhas na pele, que geralmente se iniciam no rosto e se espalham pelo corpo. A dor de garganta também pode estar presente, e a pele pode descamar. As complicações do sarampo são sérias e podem levar à cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).

A Vacinação: A Chave para a Prevenção

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. O esquema vacinal recomendado é a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 59 anos que não possuam comprovante de vacinação ou não tenham completado o esquema devem procurar os postos de saúde para atualizar sua caderneta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br