Na manhã do último sábado (2), o Brasil se despediu do jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, um ícone da resistência à ditadura civil-militar que se instaurou em 1964. Aos 85 anos, ele foi cremado no bairro Caju, no Rio de Janeiro, sendo lembrado por seus colegas como um verdadeiro defensor da informação e da democracia.
A Trajetória de um Guerreiro da Informação
Natural de Exu, Pernambuco, Raimundo Pereira começou sua luta contra a opressão política ainda jovem. Durante seus estudos no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele se destacou por criticar abertamente o regime. Essa coragem resultou em sua expulsão da instituição, após a qual ele foi alvo das forças de repressão.
Experiência na Clandestinidade
Após ser preso pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops/SP) e passar uma semana encarcerado, Raimundo foi transferido para a Base Aérea de Guarujá, onde ficou por aproximadamente dois meses. Essa experiência moldou sua visão de mundo e sua futura carreira no jornalismo.
Uma Carreira Inesperada
Raimundo Pereira se formou em Física pela Universidade de São Paulo (USP), mas sua entrada no jornalismo foi um acaso. Inicialmente, ele trabalhou como redator de revistas técnicas, uma oportunidade que surgiu ao dar aulas de matemática ao diretor de uma revista.
Contribuições para a Imprensa Brasileira
Ele fez parte da equipe que lançou a revista Veja e trabalhou em publicações como Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e Folha da Tarde. Em 1972, Raimundo assumiu a direção do Opinião, importante veículo da imprensa alternativa, e, três anos mais tarde, liderou o jornal Movimento, que se tornou um símbolo da luta contra a ditadura.
O Legado de Raimundo Pereira
Após o fechamento do Movimento em 1981, Pereira voltou à grande imprensa, mantendo sempre uma postura crítica em relação ao governo. Ele acreditava que a abertura proposta pelo regime não atendia às necessidades do povo. Sua carreira foi marcada pela defesa intransigente da democracia, pela apuração rigorosa e pela clareza de suas reportagens.
Reconhecimento e Homenagens
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) destacou o legado de Pereira como indissociável da história da resistência democrática no Brasil. Ele é lembrado como um combatente das palavras e um defensor incansável da verdade, cuja contribuição à imprensa brasileira será sempre celebrada.
