A dor menstrual é um problema significativo que afeta a rotina escolar de muitas alunas no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.info, revelou que cerca de 37,1% das estudantes menstruadas faltam às aulas mensalmente devido a cólicas e outros sintomas relacionados.
Dados da Pesquisa
O estudo, realizado em fevereiro com 2.551 participantes, incluindo alunas, professores e gestores de escolas tanto públicas quanto privadas, destacou que seis em cada dez alunas menstruadas relataram enfrentar cólicas moderadas a intensas. Além disso, os principais sintomas que impactam a frequência escolar incluem:
Principais Sintomas Menstruais
Os sintomas mais frequentemente mencionados são:
– Cansaço e dores no corpo: 30,1% – Dores de cabeça: 28% – Dor abdominal: 20,1% – Vergonha e medo de vazamento: 19,3% – Falta de acesso a banheiros ou produtos de higiene: 8,2% Veja também: Aprenda a Usar o FGTS para Amortizar seu Financiamento.
Impacto Acadêmico
A pesquisa também indica que, em média, as alunas podem perder até dois dias de aula por mês devido a esses sintomas. A especialista Sofia Reinach, do Instituto Alana, destaca que essa ausência pode prejudicar a aprendizagem e a relação das estudantes com a escola, criando um ciclo de desvantagem educacional.
Desigualdade Racial e Menstruação
Os dados da pesquisa revelam ainda uma desigualdade racial preocupante. Embora as alunas negras relatem menos cólicas intensas, elas apresentam taxas de ausência mais elevadas, faltando de dois a cinco dias por mês em comparação a suas colegas brancas. Isso levanta questões sobre como a dor menstrual é percebida e tratada entre diferentes grupos raciais.
Percepções Culturais sobre Dor
Sofia Reinach observa que as alunas negras tendem a normalizar suas dores, o que pode resultar em um subestimar do impacto que essas dores têm em suas vidas. Essa situação é exacerbada pela ideia de que corpos negros suportam mais dor, uma crença que precisa ser desconstruída.
Conclusão
É evidente que as dores menstruais têm um impacto significativo na frequência escolar das alunas, e isso requer uma abordagem mais compreensiva e inclusiva nas instituições de ensino. A promoção de protocolos de faltas justificadas e maior sensibilização entre educadores é fundamental para garantir que todas as estudantes recebam o suporte necessário, independentemente de sua origem racial.
