© Fernando Frazão/Agência Brasil
Compartilhe essa Matéria

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a incorporar uma nova opção de profilaxia pré-exposição (PrEP) para a prevenção do HIV, que será administrada por injeção. O medicamento em questão, o carbotegravir, tem a capacidade de inibir a replicação do vírus por um período prolongado e poderá ser aplicado a cada dois meses.

Encaminhamento para Avaliação

Na próxima semana, o Ministério da Saúde enviará um pedido de inclusão do carbotegravir à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec). Este órgão independente avalia a viabilidade econômica e os benefícios dos novos tratamentos antes de sua incorporação ao sistema público de saúde.

Decisão e Negociações

A Conitec pode recomendar a inclusão, mas a decisão final cabe ao Ministério da Saúde. O ministro Alexandre Padilha informou que as negociações com a farmacêutica GSK, produtora do carbotegravir, estão em andamento, visando acordar um preço justo e a quantidade de doses a serem adquiridas. Ele enfatizou a necessidade de um custo acessível, evitando preços exorbitantes.

Alternativas e Considerações

O ministro também mencionou o lenacapavir, outro medicamento que oferece proteção por até seis meses, mas cujo custo foi considerado inviável. Apesar de o Brasil ter demonstrado disposição para pagar um valor significativamente maior do que outros países, a indústria não aceitou essa proposta.

Críticas e Licenciamento

O Brasil, embora tenha sido um dos locais de teste do lenacapavir, não está incluído no acordo de licenciamento voluntário da Gilead, que permite a produção de versões genéricas em 120 países. Essa exclusão foi alvo de críticas, especialmente por parte da Unaids, que defende a ampliação do acesso a esse medicamento crucial para o combate à epidemia de AIDS.

PrEP Oral e Vantagens da Versão Injetável

Atualmente, o SUS já disponibiliza a PrEP em forma de comprimidos, que devem ser ingeridos diariamente. Mais de 350 mil pessoas têm acesso a este tratamento, que também é eficaz. Contudo, a principal vantagem da PrEP injetável é a adesão dos pacientes, facilitada pela administração a cada dois meses.

Resultados de Estudos

Um estudo conduzido pela Fiocruz, com 1.400 participantes em seis cidades, revelou que 83% dos indivíduos preferiram a injeção. Além disso, 94% compareceram às consultas de forma pontual, garantindo a proteção ao longo do tratamento, sem infecções registradas. Outro estudo demonstrou uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%, evidenciando a alta eficácia do novo medicamento.

A introdução do carbotegravir como opção de tratamento no SUS representa um avanço significativo na luta contra o HIV, oferecendo uma alternativa mais prática e eficaz para os usuários.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br