© REUTERS/Agustin Marcarian/Proibida Reprodução
Compartilhe essa Matéria

O governo de Javier Milei está realizando uma nova tentativa de votar um projeto no Senado argentino que visa modificar as regras sobre a compra de terras por estrangeiros. A proposta, que será discutida nesta quinta-feira (6), enfrenta forte oposição e gerou convocações para protestos durante a votação.

Mudanças Propostas e Contexto

A proposta original da Casa Rosada previa a eliminação total dos limites para a aquisição de terras por estrangeiros, que atualmente é de 15% em níveis nacional, provincial e municipal. Contudo, devido à resistência do Senado, o governo sugeriu uma alternativa mais moderada, aumentando esse limite para 25% por província.

Tentativas Anteriores

Em julho, uma tentativa anterior de votação foi cancelada devido à falta de apoio. O governo argumenta que a legislação de 2011 que impõe essas restrições desencoraja investimentos internacionais, especialmente no setor agrícola, vital para a economia argentina.

Argumentos da Oposição e Críticas

Grupos de oposição e organizações não governamentais, como o Observatório de Terras da Argentina, criticam a proposta, acusando o governo de promover um ‘entreguismo’ que beneficiaria interesses estrangeiros em detrimento da soberania nacional. Segundo a ONG, cerca de 5% das terras argentinas já pertencem a estrangeiros, totalizando 13 milhões de hectares.

Riscos Associados

Os críticos alertam que a ampliação do limite para a compra de terras pode resultar em um controle excessivo sobre recursos naturais estratégicos, como rios e lagos, afetando diretamente o acesso da população local a esses bens.

Defesa do Governo e Propostas Legislativas

Em resposta às críticas, o governo Milei defende que a proposta não ameaça a soberania nacional, pois proíbe a venda de terras para estados estrangeiros, limitando-se à iniciativa privada. Além disso, o projeto faz parte de um conjunto mais amplo de reformas chamado Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada.

Conteúdo da Lei de Inviolabilidade

Esse pacote legislativo inclui medidas que aceleram processos de despejo, dificultam expropriações e reduzem restrições à venda de áreas protegidas após incêndios florestais, provocando um intenso debate sobre os impactos sociais e ambientais dessas mudanças.

A discussão em torno da proposta de Milei evidencia um conflito entre interesses econômicos e a preservação da soberania nacional, refletindo um dilema que poderá moldar o futuro das terras na Argentina.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br