© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A leitura entre adolescentes enfrenta uma crise sem precedentes neste século, com jovens mais familiarizados com smartphones do que com clássicos literários. Essa tendência alarmante foi evidenciada em uma avaliação global que revela um declínio acentuado nas habilidades de leitura, matemática e ciências.

Resultados do Teste Internacional de Avaliação de Alunos (PISA)

O teste de 2025, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com 760 mil adolescentes de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura atingiram seu ponto mais baixo desde o início da coleta de dados em 2000. Em média, os estudantes apresentaram um desempenho que antes era esperado de alunos um ano mais novos.

Queda nas Pontuações

A pontuação máxima em leitura, que era de 501 em 2012, caiu para 466 no ano passado. Essa avaliação é considerada um dos principais indicadores de desempenho educacional global, e seus resultados são analisados com atenção por governos e especialistas. O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, destacou a relação entre o aumento do tempo em frente às telas e a redução da leitura por prazer, resultando em um desempenho educacional mais fraco.

Impactos em Ciências e Matemática

Além da queda nas habilidades de leitura, as médias em ciências e matemática também mostraram diminuição significativa. A pontuação em ciências caiu de 506 em 2009 para 486, enquanto a de matemática foi de 502 para 469 no mesmo período. Os dados indicam que a queda é mais pronunciada entre estudantes de famílias com maior poder aquisitivo.

Distrações Digitais e o Desempenho Escolar

O relatório da OCDE não endossa a proibição de smartphones nas escolas, mas aponta a distração digital como um fator associado a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Mais de 25% dos alunos afirmaram que os dispositivos distraem seus colegas durante as aulas. Em média, os estudantes passam 3,4 horas diárias em dispositivos digitais para lazer e mais de três horas em atividades de aprendizagem.

Efeitos do Uso Excessivo de Tecnologia

Embora os dispositivos digitais possam ser benéficos para a aprendizagem, seu uso excessivo, especialmente acima de cinco horas diárias, tem se mostrado prejudicial. O estudo também revelou que quase metade dos alunos utiliza chatbots de inteligência artificial para suas atividades escolares, mas aqueles que dependem dessa tecnologia para redações e pesquisas tendem a ter notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, representando uma perda equivalente a um ano de aprendizado.

Esse cenário exige uma reflexão profunda sobre o papel da tecnologia na educação e a importância de fomentar hábitos de leitura entre os jovens, fundamentais para o desenvolvimento de habilidades críticas e criativas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br