Uma pesquisa realizada pelo Observatório IA, em parceria com a Data Privacy Brasil e o Aláfia Lab, revelou que uma quantidade significativa de conteúdos políticos gerados por inteligência artificial nas redes sociais não indicou o uso dessa tecnologia. O estudo, que abrangeu o período de 1º de janeiro a 16 de agosto de 2026, encontrou que quase 66% das publicações violaram a legislação eleitoral ao não sinalizar a origem do material.
Resultados da Pesquisa
Dentre os 413 conteúdos analisados, 250 (aproximadamente 60%) foram categorizados como sátira, visivelmente destinados a ridicularizar figuras políticas. Por outro lado, 163 publicações (cerca de 40%) foram identificadas como desinformação. O Observatório expressou preocupação com a falta de transparência, destacando que tanto os usuários quanto as plataformas digitais não estão fornecendo as devidas informações sobre o uso de inteligência artificial nas postagens.
Distribuição dos Conteúdos
A maioria das postagens enganosas foram originadas de contas anônimas. Entre os candidatos que utilizaram essas estratégias, Flávio Bolsonaro, do PL, destacou-se como o mais ativo, com 13 publicações. Mário Frias, também do PL, seguiu com 10 postagens, enquanto Romeu Zema, do Novo, fez cinco. Outros candidatos, como Sóstenes Cavalcante e Eduardo Bolsonaro, publicaram três conteúdos cada um.
Partidos e suas Publicações
O partido PL se destacou como o maior disseminador de conteúdos gerados indevidamente por inteligência artificial, com um total de 28 publicações. O PT e o PSDB contribuíram com quatro e duas mensagens, respectivamente.
Manipulações e Alvos
A análise revelou que 81% dos conteúdos manipulados utilizaram deepfake, uma técnica que altera imagens ou vozes de pessoas públicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o principal alvo, com 112 publicações contendo manipulações. Flávio Bolsonaro também foi afetado, com 57 alterações em suas imagens ou falas.
Compreendendo o Deepfake
Deepfake refere-se a conteúdos sintéticos que são manipulados por inteligência artificial, apresentando um alto grau de realismo ao reproduzir ou alterar a imagem, voz ou comportamento de indivíduos, sejam eles vivos, falecidos ou fictícios. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já proibiu a utilização de deepfake nas campanhas eleitorais, especialmente quando caracterizado como propaganda.
Esses dados ressaltam a necessidade urgente de regulamentação e monitoramento das tecnologias de inteligência artificial durante o período eleitoral, a fim de preservar a integridade das informações e a transparência nas comunicações políticas.



